Os Pecados do Haiti

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Por Eduardo Galeano (*)

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

* Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor do livro “As veias abertas da América Latina”.


Chomsky e as estratégias de manipulação

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(do blog do Nassif)

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:

1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade

Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Arrumação

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Elomar e uma das mais belas músicas da música brasileira:

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Esculturas de ondas cinéticas

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Não precisa nem saber inglês para admirar o que esse tal Reuben Margolin faz…

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Glauber e Sarney, 1966

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José Burns

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joseburns


Péssimo investimento

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O texto abaixo é velho ( e provavelmente inventado) mas vale a pena reler…

Uma moça escreveu um email para uma revista financeira pedindo dicas sobre “como arrumar um marido rico”. Contudo, mais inacreditável que o “pedido” da moça, foi a disposição de um rapaz que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito bem fundamentada:

Mensagem/email da MOÇA:

“Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West. Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia  correta? Como eu chego ao nível dela?” (Rafaela S.)

Mensagem/resposta do (inspiradíssimo) RAPAZ:

“Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.

Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa… Isto posto, considero os fatos da seguinte forma:

Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Proposta clara, sem entrelinhas. Mas tem um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando.

Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos.. E  você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta!

Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco.

Isto é, hoje você está em ‘alta’, na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como ‘trading position’ (posição para comercializar) e não como ‘buy and hold’ (compre e retenha), que é para o quê você se oferece… Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um ‘buy and hold’) com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar. Cogitar… Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão ‘articulada, com classe e maravilhosamente linda’ seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa ‘máquina’, quero tão somente o que é de praxe: fazer um ‘test drive’ antes de fechar o negócio… podemos marcar?”


O destino (à maneira dos… coreanos)

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Encontraram-se os dois chineses.

— Olá, Shen-Tau, por onde andou?

— Ah, passei seis meses no hospital, Shin-Fon.

— Eh, isso é mau!

— Nada. Isso é bom: casei com uma enfermeira bacaninha.

— Ah, isso é bom!

— Que o que — isso é mau. Ela tem um gênio dos diabos.

— É, isso é mau.

— Não, não, isso é bom: o avô dela deixou uma herança e eu não preciso trabalhar porque ele acha que só eu sei cuidar do gênio dela.

— Oh, oh, isso é que é bom!

— Oh, oh, isso é que é mau! Com o gênio dela, às vezes não me dá um níquel. E como eu não trabalho, não tenho o que comer.

— Xi, isso é mau!

— Engano, isso é bom. Eu estava ficando gordo e mole — vê só, agora, o corpinho com que eu estou.

— É mesmo — isso é bom!

— Que bom! Isso é mau. As pequenas não me deixam e acabei gostando de outra.

— Êpa, isso é mau mesmo.

— Mau nada, isso é bom. Essa outra mora num verdadeiro palácio e me trata como um príncipe.

— Então isso é bom!

— Bom? Isso é mau: o palácio pegou fogo e foi tudo embora.

— Acho que isso é realmente mau!

— Mau nada: isso é bom. O palácio pegou fogo porque minha mulher foi lá brigar com a outra, virou um lampião e as duas morreram num incêndio. Eu fiquei rico e só.

— Isso… é bom… ou é mau, Shen-Tau?

— Isso é muito bom. Shin-Fon.

Moral: Nada fracassa mais do que a vitória, e vice-versa.

 

FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. p. 61-2. 


A melhor explicação para crise do subprime

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Cibo Matto, “Sugar Water”

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Clipe de Michel Gondry. Absolutamente genial!

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Não diga bobagem, Fernando Henrique.

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Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex- 
presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande  
economista”. Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre  
discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Por Gilson Caroni Filho

A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem  
repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge,  
então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As  
últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão  
inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste  
história dos seus dois mandatos sucessivos.

Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista  
para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que  
apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas  
é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior,  
de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o  
seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi – e ainda é –  
para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se  
reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e  
escapa da pequenez política que adquiriu.

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex- 
presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande  
economista”. O tom jocoso presente em “veste a roupa, rei. Pare de  
falar bobagem”, resvala para o patético quando afirma que “aqui não é  
marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que  
é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não  
é afetado. Está afetando.”

Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro” do  
presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país  
se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização  
de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de  
securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o  
“agrobusiness”) com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo  
e endividamento externo máximo.

Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a  
dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência,  
jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do  
FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca  
foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.

O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses  
monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada,  
desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A  
desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços  
nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como  
a “era da estabilidade”.

Aumento do desemprego, congelamento – ou irrisórios reajustes  
salariais dos servidores públicos – e uma escalada sem precedentes da  
violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo  
que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se  
comportar em uma crise.

Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo  
Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional  
fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete  
anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da  
política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola,  
sim.

Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na  
IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da  
Gradiente afirmava: “Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002,  
entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável  
pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar,  
somos nós, a elite brasileira”. Segundo Staub, a única saída era “a  
eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força  
transformadora”. Em suma, alguém capaz de consertar os estragos  
deixados pelo “grande sociólogo”. O ex-presidente que, ao deitar  
falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu  
reinado.

Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente:  
“Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades  
Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro  e colaborador do  
Observatório da Imprensa.


Cala a boca, FHC!

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Por Emir Sader

Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.”

Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.”

Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.”

Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.”

Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a  
camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.”

Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o  
Estado com a dívida pública 11 vezes maior.

Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o  
mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”.

Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999,  
subiu a taxa de juros para 49%?

Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais?

Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar  
privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de  
valores de Nova York e de São Paulo? Quem quebrou o monopólio estatal  
do petróleo no Brasil?

Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e  
conseguir um segundo mandato?

Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil?

Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes  
capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear  
empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência  
com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história  
brasileira.

Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos?

Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”?

Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi  
superada no governo Lula?

Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de  
prioridade de comércio com os países do norte?

Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?

Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu  
candidato foi derrotado em 2002?

Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu  
governo nas eleições de 2006?

Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como  
tendo sido o presidente dos ricos?

Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato,  
quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição.

Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo  
o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente.

CALA A BOCA, FHC!


Todo mundo recebeu… mas vale a pena rever

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Já havia lido o discursos de Steve Jobs na época, mas só agora vi o vídeo. Aparentemente, meio mundo recebeu. Vale a pena ver.

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Você pode ver com legendas em português aqui.


A história das coisas

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Penso que é importante divulgar esse tipo informação. Conscientização é o primeiro passo para mudar o rumo suicida que a a sociedade tomou. Porém, o passo seguinte é o mais importante: mudar os hábitos. Procurar convencer os mais próximos a mudar também. Apenas saber que é algo é errado não basta. Na hora de comprar qualquer coisa, pense nisso. Muitas vezes, economizar dinheiro é economizar o planeta.


A Fome

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Sempre vivemos com fome
Fome de comida, amor, diversão, de ganha pão
A fome é algo que vem lá dos bagos
Não temos controle
Sem saciá-la, a fome nos corrói
Nos come por dentro

A fome também tem fome

A fome é autônoma, não dá pra acabar com ela
Ela, se quiser, é que pode acabar com a gente
Vamos jogando coisas pra que ela se distraia
Mas a gente acaba se distraindo e a fome volta

A fome é necessária
Sem ela a gente pára
e olha pros lados sem saber pra onde ir…
E ficamos lá parados
até o tempo levar nossa poeira
A fome é o ciclo da vida

É uma necessidade suprema
A fome é o que nos faz continuar
Só que, às vezes, a fome é forte demais
E dói. Dói muito.
Parece que vamos morrer.

É a fome com fome

Mas sempre tem jeito de matar a fome
Quer dizer, matar não dá
Mas em algum lugar está aquilo que a fome quer
Pelo menos um pouco pra que ela nos deixe em paz

A fome é o início e o fim de tudo
É o nosso instinto de sobrevivência
É o nascimento, o leite materno
o bolo de chocolate, a vela de aniversário
o primeiro beijo, a dor de barriga
a bebedeira, o dedo quebrado, o joelho ralado
É o fim do caminho, um tanto sozinho

Enfim, quem tem fome está vivo