Archive for April, 2004
April 29th, 2004
Recebi esse texto ó um pouco longo, é verdade ó sobre praticas criminosas da Nestlé em Minas Gerais baseado (ou publicado, não sei) em informaç¿ees do site Cidadania pelas águas. Pelo que pude me informar as informaç¿ees são verdadeiras (e sempre desconfiei que a água PureLife era picaretagem) e um boicote à Nestlé é mais do que justificável. Só digo uma coisa: parei com o Choquito e o Nescau!
’Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizaç¿ees da cidade vem combatendo a prática, por diversas raz¿ees.
As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram uma eficiente e barata forma de tratamento médico para diversas doenças. Essa forma de tratamento entrou em desuso pela maciça
campanha, a partir dos anos 50, dos laboratórios farmacÃçuticos interessados em vender suas fórmulas qu’micas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece.
Recentemente um médico municipal curou a anemia das crianças de uma escola de baixa renda apenas com água ferruginosa. Para fabricar a PureLife, a Nestlé desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Cientistas europeus afirmam que ao desmineralizar a água a Nestlé desestabiliza a mesma e precisa acrescentar sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras PureLife é uma água qu’mica sem estudo de riscos à saúde. A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer as normas de restrição de impacto ambiental e expondo a saúde da população a riscos desconhecidos.
O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido. Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em n’veis além do aceito estão comprometendo os poços minerais, cujas águas tem um processo lento de formação. Dois poços já secaram.
Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades. Durante anos a Nestlé vinha operando sem mesmo licença estadual. E é curioso como finalmente obteve essa licença no in’cio de 2004.
Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu o apoio, na Suiça, para interpelar e empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ONG verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Su’ça.
Em janeiro deste ano, graças ao apoio conjunto desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente e em público o presidente mundial do Grupo Nestlé. O mesmo, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte o governo de Minas ( PSDB ), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé.
Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Ao invés de aproveitar o apoio internacional para o caso, apoio a uma corporação privada de histórico duvidoso. Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto ganhou manchetes em vários jornais, em diversos idiomas. E mesmo duas matérias de meia hora na televisão. Em uma dessas matérias, o vereador Cassio Mendes do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu press¿ees do Governo Federal( PT ), para calar a boca. Teria sido avisado que o pessoal da Nestlé apoia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.
Diga-se de passagem que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa incentiva, como estratégia de marketing, para que os consumidores comprem seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa?
Contratação dos agentes, com suspeitas, não esclarecidas ainda, de que também forneça o treinamento. Sim, a Nestlé, famosa por ser alvo internacional de organizaç¿ees que denunciam sua prática de propaganda mentirosa, enganando mães e educadores para substituição de leite materno por produtos Nestlé. A vendedora de leites e papinhas “substitutivos” estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informaç¿ees e fazendo lucro e campanha publicitária de seus produtos nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.
Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização “parcial” das águas. O que é isso? Como será regulamentado? Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização “parcial”? E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com isso?
Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. é para essas empresas que o governo governa? Além do que, a desmineralização, parcial”ou “integral”, é uma prática combatida por cientistas e pesquisadores, como exposto acima. Colabore. Transmita estas informaç¿ees para outras pessoas.
Boicote os produtos Nestlé. A união de nossa sociedade civil em consciÃçncia e defesa da água
é assunto de Paz e soberania nacional. Mais informaç¿ees sobre o caso Nestlé em www.cidadaniapelasaguas.net.
April 28th, 2004
TrÃçs coisas divididas igualmente por todos: o tempo, a vaidade, o medo.
TrÃçs coisas invis’veis e incompreens’veis: gota d’água no mar, grito dentro da noite, dor no coração alheio.
TrÃçs coisas irrecuperáveis: o vôo da calúnia, o tempo passado, o ato sexual adiado.
TrÃçs coisas irresist’veis: dormir mais um pouco, o puxa-saquismo, a mulher do amigo.
TrÃçs coisas que aumentam com o passar dos anos: a insegurança, o ego’smo, o ceticismo.
TrÃçs coisas que derrotam os computadores: estrelas no céu, grão de areia na praia, idiotas no mundo.
TrÃçs coisas quentes e mutáveis: a palavra do homem público, a chama da fogueira, a amizade sincera.
TrÃçs coisas sem fim e sem compensação: a busca da verdade, a luta pela liberdade, a prática da fraternidade.
TrÃçs coisas absolutamente seguras: o nascer do sol, ahora do sofrimento, a morte.
(Millôr Fernandes)
April 19th, 2004
Bom, há tanta coisa rolando no Brasil e no mundo que fica até dif’cil saber o que comentar. Sei uma das imagens que mais me marcou foi a foto do policial carregando o traficante em um carrinho de construção. Imagino que muita gente acredite que bandido bom é bandido morto e que a pol’cia fez muito bem em humilhar o cadáver do rapaz.
Acho que a morte é um momento solene e que humilhação em praça (no caso, favela) pública ó morto ou vivo ó não é maneira de punir pecados de alguém. Ontem, Elio Gaspari, na Folha, citou o Gabeira: ’Quando descemos o morro com um corpo carregado num carrinho de mão estamos estimulando o uso de drogas. Estamos mostrando que mandamos para os ares um dos fundamentos da civilização brasileira, o respeito pelos mortos”. E Gaspari ainda completa: ’árabes e judeus matam-se num conflito onde se misturam ódio, racismo e intolerância. Essa guerra nunca produziu a cena de um soldado carregando um inimigo morto num carrinho de pedreiro. Muito menos o clima de ordem e naturalidade que há na imagem. é poss’vel que só exista coisa parecida na coleção de 140 fotografias tiradas num dia de setembro de 1941 pelo sargento alemão Heinz Joest no gueto de Varsóvia.”
E quem acha que o morto não merece nenhum respeito deve considerar pelo menos a fam’lia e amigos do falecido, que não necessariamente são traficantes e devem ter seus motivos para ter afeto pelo morto. Aliás, é o desrespeito a maioria de vivos e mortos no Brasil que criou as favelas do rio e fez com que muitos confiem mais nos traficantes do que na pol’cia.
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Depois de trÃçs semanas sem ter muito tempo para escrever aqui, me espantei em ver que a média diária de visitas ao site aumentou. Pouco, mas aumentou. Porém, evitei de tirar qualquer conclusão sobre o fenômeno para não correr o risco de ter minha auto-estima abalada… De qualquer modo, se notarem que meu ritmo voltou a diminuir, não estranhem.
April 11th, 2004
O Xivas, meu amigo e jornalista da Folha, comentou meu rápido texto sobre a Carta Capital, dizendo que a revista não é diferente do resto da imprensa por causa da publicação da entrevista de Carlos Costa, ex-chefão do FBI no Brasil (ver post de 31/04). Ele perguntou também se eu já contei quantas matérias eles publicaram contra ou batendo no governo Lula. E ainda me informou que a Carta foi a que mais recebeu dinheiro de anúncios do governo federal no ano passado, logo depois da Veja, acima mesmo do que a época e a Istoé.
Em primeiro lugar, não disse que a Carta Capital é um novo modelo de imprensa no pa’s da m’dia colonizada. Mas a qualidade dela é muit’ssimo superior as concorrentes, que se preocupam mais com assuntos como sexo, saúde e comportamento do que com coisas realmente importantes. E penso que o fato de a Carta ter publicado aquela entrevista ó um escândalo muito pior do que os casos Waldomiro da vida, na minha opinião ó e a maioria das principais publicaç¿ees e telejornais terem ficado quietinhas, como se a matéria fosse sensacionalista, parece-me um tanto estranho, para não dizer sintomático. Para mim, isso acaba fazendo com que a revista se mostre diferente das outras, de alguma maneira.
é claro que não revelei que o Xivas recebe grana do FBI… Beincadeirinha. Na verdade, não estou implicando que toda a imprensa é comprada pelos EUA, mas o fato é que Carlos Costa disse claramente que o FBI dá grana para alguns jornalistas se alinharem aos pontos de vista da Casa Branca e isso é muito sério e dá o que pensar.
Porém, a Casa Branca não precisa comprar todos os jornalistas, pois uma grande parte já foi lobotomizada. Para me restringir à Folha do Xivas, cito o exemplo de Márcio Aith, editor do carderno de economia e que escreveu ontem uma resenha do livro (’Cara, CadÃç Meu Pais”) e o lançamento do ótimo documentário ’Roger e Eu”, ambos de Michael Moore, diretor também do fantástico ’Tiros em Columbine”.
Aith afirma que Michael Moore é manique’sta e que, no prefácio da edição brasileira de seu livro, ele bajula os brasileiros aos dizer que é ’um povo bonito”. Fica claro que o jornalista está preocupado apenas em rebaixar Moore quando diz que o Brasil vendeu muitas armas para os EUA e que a GM também tem fábricas por aqui e por isso chamar o pessoal daqui de ’lindo” é apenas bajulação. Argumentação de má fé. Quem vendeu armas aos EUA foram as corporaç¿ees e não o povo bonito, que mal sabe que armas são fabricadas aqui. Esse tipo de cr’tica é baixaria. Enfim, a resenha inteira é uma desgraça de superficial e t’pico exemplo de mente colonizada.
Mas, voltando ao Xivas, não contei as matéria contra ou a favor de Lula que foram publicadas na Carta Capital. Inclusive porque isso não quer dizer nada. Dependendo do assunto, o governo merece cacetadas ou afagos. Cada caso é um caso, como diria o filósofo.
E o fato de ela ter mais publicidade do que a época e a Istoé não quer dizer que uma publicação é mais vendida do que outra. O que leva o governo a anunciar na Carta pode ter a ver com o público da revista ou com o fato de ser uma publicação de credibilidade, sei lá. Se a idéia é me convencer que Mino Carta gosta de bajular o governo, não me convenceu.
De qualquer maneira, valeu pela visita, Xivas. E, não se preocupe, confio na sua integridade. E o FBI também. Brincadeira.
April 2nd, 2004
O caso das fitas do Waldomiro Diniz e a briga entre o PSDB e o PT me lembrou a atual rixa entre Schin e Brahma em torno do Zeca. Só que ao contrário.
Governo e PSDB agora brigam para ver quem fica menos sujo com a má-publicidade que o garoto anti-propaganda Waldomiro traz para quem se mete com ele ou com suas fitas. De um lado temos o PT (no papel da nova Schin, que alguns dizem que é pior que a velha) que abrigava um pilantra fazendo literalmente comercial do governo dentro do Planalto, e, do outro, está o PSDB (a Brahma de sempre) e o procurador Santoro, encarnando muito bem Nizan Guanazes tentando derrubar o concorrente.
E o resultado está sendo o mesmo da guerra das cervejas: uma vergonha nacional desnecessária e lamentável.
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Quem ainda não viu a propaganda da Amex em que Jerry Seinfeld contracena com o Super-Homem, clique aqui para dar umas boas risadas.