Archive for June, 2004
June 25th, 2004
é curioso. Depois de ridicularizar a festa junina de Lula, assim como a tradição dessa festa, Danuza Leão escreveu ontem na Folha sobre o SP Fashion Week como a melhor coisa do mundo.
Para ela, festa junina é a coisa mais cafona do mundo e não uma tradição popular que nada tem a ver com termos como fashion ou finesse. Já O SPFW é algo tão sofisticado e maravilhoso, que ela compraria todas as roupas apresentadas.
Do meu ponto de vista, tão válido quanto o dela e menos preconceituoso, desfiles de moda são a coisa mais cafona e idiota do mundo. São pessoas andando na passarela demonstrando o que há de mais fútil e idiota na natureza humana.
Tenho a mais absoluta certeza de que, se o presidente (qualquer presidente) e a primeira dama aparecessem em algum evento utilizando qualquer uma daquelas roupas rid’culas (já imaginou a Marisa com um seio aparente como a Naomi Campbell), a’ sim ter’amos um espetáculo de mal gosto que abalaria a credibilidade do Brasil em todo o mundo.
Mas suspeito que o que mais incomoda a Danuza não é a festa junina em si, mas o fato de que Lula não fica tão bem de chapéu de palha como poderia fica em FHC.
June 21st, 2004
Domingo último tive minha experiÃçncia “quase famosos” (para quem não sabe me refiro ao filme de Cameron Crowe “Almost Famous”). Ontem me ligou um conhecido que estava com problemas em seu computador e precisava de meus serviços de comsultor em Macintosh para solucionar o problema. Era domingão mas, beleza, vamo lá.
O cara, Yann, que tocava no conjunto Metrô, me falou que estaria fazendo uma sessão de fotos com sua banda no Hotel Fasano e onde combinei de encontrá-lo. Ao chegar lá, ele me falou para subir até o quarto 161, pois a sessão ainda não havia acabado. Ao sair do elevador, vejo o Marcelo Rubens Paiva entrado no outro elevador e duas pessoas de costas de despedindo. Logo descobri que um deles era o Yann, que me apresentou ao segundo indiv’duo ao seu lado.
“Esse aqui é o Paulo.” Só ao apertar a mão do outro cara que vi que se tratava do Paulo Ricardo (deixa minha irmã saber disso) com um chapéu de cowboy de zebrinha. Foi a’ que descobri que a tal banda era o novo RPM. Agitado e simpático, conversamos muito rapidamente e logo ele de dispersou num quarto com 30 pessoas ou mais, entre fotógrafos, modelos vestidas em estilo gótico, fotógrafo, assistentes, amigos e um “popular”, eu, que parecia ter entrado em uma outra dimensão.
A foto era para a Vogue e era para simular uma festa-rave-bacanal ou algo do tipo. Quase todo mundo em cima da cama pulando ao som do novo CD do RPM. E claro não faltou o previs’vel momento em que um cara (talvez modelo) abaixa as calças, pula na cama e começa a balançar o pinto. Fato, que, claro, o fotógrafo não deixou escapar.
Enfim, bizarro e engraçado.
June 15th, 2004
Ao ler os jornais sobre a parada gay de domingo e a quantidade de pessoas que foram à Av. Paulista, uma dúvida passou a me atormentar: por que as estimativas de participantes de qualquer manifestação pública no Brasil é feita sempre pela Pol’cia Militar?
Já notaram que qualquer reportagem diz “segundo a PM, tantas pessoas participaram…” Pense bem, por que a PM é capaz de contar melhor o número de pessoas numa multidão do que a Pol’cia Civil ou a CET. é porque usam helicópteros? Ou os soldados ficam no meio da multidão contando “104.106, 104.107, 104.108… putz, perdi a conta!”, o que explicaria o motivo pelo qual as “contas oficiais”, literalmente, sempre ficam aquém das realizadas pelos organizadores do evento.
Ou então talvez a PM seja realmente quem melhor saiba estimar a “densidade de uma manifestação”, mas o legado da ditadura militar faz com os números divulgados sejam menores para não ficar enchendo a bola desses desordeiros subversivos. E ainda por cima viados.
June 4th, 2004
CACOETE
Das mil vezes por dia que você diz “Muito Obrigado!”, apenas uma ou duas você está realmente agradecido.
CADEIRA DE BALANÇO
A cadeira de balanço é um pouco mais móvel do que os outros móveis.
CAMISINHA
Usar camisinha é nunca ter de pedir perdão.
CAPACIDADE
Nossos executivos governamentais se dividem entre os que são capazes de tudo e os que são incapazes de tudo.
CARNIFICINA
Carnificina é uma matança que ultrapassa a da violÃçncia usual.
CAUSA-MORTIS
Cinquenta por cento dos doentes morrer de médico.
CéREBRO
A massa cinzenta produz pensamentos sombrios. (Falsa cultura)
CERTEZA
Nada é certo no mundo ó a não ser o telefone tocar quando você está sozinho em casa e acabou de sentar no vaso.
Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada.
Não há nada mais equivocado do que a certeza.
CETICISMO
Vim ao mundo para desconfiar das coisas estabelecidas, mesmo que tenham sido aceitas desde sempre. Exemplo: me recuso a acreditar que pingüim goste de frio.
CHATO
Chato é um sujeito que conta tudo tim-tim por tim-tim e depois entra em detalhes.
COERÊNCIA
Muitos dão a vida por suas crenças. Jamais arriscarei a vida pelo meu ceticismo.
COMPUTADOR
Com o advento do computador, hoje são os jovens que vivem se queixando de falta de memória.
Na era do computador, errar é desumano.
CONCLUSÃO
Depois de anos de reflexão e experiÃçncia cheguei à conclusão óbvia de que não existe maneira correta de fazer coisas nenhuma.
Dito e feito; tudo foi dito e nada feito.
CONDIÇÃO HUMANA
Todo mundo, por mais chique que seja, em determinado momento enfia o dedo no nariz.
CONDICIONAMENTO
Basta você afirmar as mesmas besteiras durante algum tempo pras pessoas começarem a dizer: “E quem sabe se, no fundo, ele não tem razão?”
CONFIANÇA
Nunca confie em ninguém com mais de 30 anos. Aliás, como medida de segurança, não confie também em ninguém com menos de 30 anos.
CONSELHO
Jamais aceite conselho ó a começar por este.
CONSEQUÊNCIA
Se você for à festa ninguém vai notar a sua ausÃçncia.
CONTRIBUINTE
Me arrancam tudo à força, e depois me chamam de contribuinte.
CORAÇÃO
O coração tem imbecilidades que a estupidez desconhece.
CORAGEM
é preciso ter coragem. é preciso da pseudônimo aos bois.
CRENÇA
Eu não só acredito em vida após a morte como acho que é essa que estamos vivendo.
Uma crença não ´mais verdadeira por ser unânime, nem menos verdadeira por ser solitária.
CUMPRIMENTO
Passa pelo psicanalista e cumprimenta: “Olá, como vou?”
June 2nd, 2004
Os preju’zos noticiados oficialmente como consequÃçncia da pirataria e o contrabando é uma bela falácia. Na verdade, existe uma grande distância entre “deixar de ganhar” e “ter preju’zo”. Mesmo que o governo conseguisse acabar completamente com a pirataria de CDs e software, a mudança não seria revertida integralmente em vendas para as empresas que se sentem lesadas. Só uma parte do público que consome produtos “alternativos” compraria a versão “oficial” se não tivesse outra opção.
A Microsoft, por exemplo, deve seu crescimento, em parte, à pirataria que a ajudou em muito na disseminação do Windows, Word e Excel como o padrão dominante. Agora a pirataria já não é tão útil para Bill Gates, mas se ela deixar de existir tem muito dono de PC que vai optar pelo Linux, que, como se sabe, é software livre. Sinceramente, quantas pessoas que usam o Word compraram ou comprariam o pacote Office? Afinal, a maioria apenas usa 5% das funç¿ees do programa, se muito.
Houve épocas em que os CDs de música eram mais baratos, quase a metade do que custam hoje, e incrivelmente sedutores. Eu sozinho comprei mais de 800 nos tempo áureos (de 92 a 98). Depois o CD ficou caro demais, o dinheiro escasso, o MP3 prático e a Internet mais rápida… e o resto é história. Mas sinto falta daquela época em que não via a hora de voltar à loja (a Pop’s, na Teodoro Sampaio) para comprar mais discos. Porém, eram outros tempos. Com a queda nas vendas a indústria fonográfica decidiu aumentar o preço para compensar os preju’zos e acabou mirando a arma para a própria cabeça.
Quem não tem condiç¿ees de baixar música “de graça” da Internet ó leia-se: quem é pobre demais para ter computador ou banda larga ó normalmente também não pode pagar R$ 30 no CD de seu artista favorito. E quem tem coragem de dizer para essa pessoa que é um erro ela comprar uma versão pirata por um terço ou menos do preço? E com a mesma qualidade sonora! Se você for pensar bem, quem tem mais grana “baixa de graça” ou “queima um CD” enquanto quem não tem é que acaba gastando dinheiro no camelô. Isso é que eu chamo de incentivo fiscal para os privilegiados.
Se o CD do Skank ou da Madonna custasse uns R$ 15 na loja, talvez esse assunto fosse menos importante. Enfim, é como se diz por a’: “baixa o preço que a gente compra”. Ou não seria melhor dizer: “baixa os imposto que a gente compra”.