Archive for July, 2004

Fabricação do consenso… revisited… revisited

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Chez Nigro’s também é cultura.

A Gabi minha cunhada citou o Antonio Candido nos comentários do meu último post:
“Na formação histórica dos EUA houve desde cedo uma presença constritora da lei, religiosa e civil, que plasmou os grupos e os indiv’duos, delimitando os comportamentos graças à força punitiva do castigo exterior e do sentimento interior de pecado.
(…)
Esse endurecimento do grupo e do indiv’duo confere a ambos grande força de identidade e resitÃçncia; mas desumaniza as relaç¿ees com os outros, sobretudo os indiv’duos de outros grupos, que não pertencem à mesma lei e, portanto, podem ser manipulados ao bel-prazer. A alienação torna-se ao mesmo tempo marca de reprovação e castigo do réprobo; o duro modelo b’blico do povo eleito, os outros, reaparece nessas comunidades de leitores quotidianos da B’blia. Ordem e liberdade – isto é, policiamentos internos e externos, direito de arb’trio e de ação violenta sobre o estranho –, são formulaç¿ees desse estado de coisas.”

E ela completa dizendo:
“Antes de serem dois partidos de centro-alguma-coisa, os americanos são americanos e isso se reflete na pol’tica, interna e externa. Mas democratas e republicanos tÃçm suas diferenças e isso ficou bem claro depois do 11 de setembro…”

Adorei o texto. E respeito demais a opinião da Gabi, que lÃç muitos livros, enquanto eu só finjo que leio. Não pode se negar a formação cultural na questão na mentalidade americana. Nem estou negando isso. Mas a descrição de Antonio Candido se refere principalmente ao Sul, mais conservador e retrogrado, onde até hoje boa parte da população não acredita na teoria evolucionista. E é essa visão de americano que virou o esteriótipo daquele povo. E o texto, para mim, serve para explicar principalmente a pol’tica externa dos EUA do que a interna.

Não se pode explicar o bipartidarismo americano apenas no fato que o americano está sendo americano e está obedecendo à sua formação cultural. Do mesmo jeito que não se pode dizer que o nazismo sé poderia ter surgido na Alemanha porque os alemães são alemães. O nazismo só existiu porque existia algo chamado “ministério da informação”. Hitler aliás admirava muito a capacidade de manipulação das informaç¿ees anglo-americana. E os EUA posteriormente também absorveram muito da “sabedoria” nazista.

O questiona é uma perpertuação da mesma visão e prática durante mais de um século. E acho que só a doutrinação permite isso. Michael Moore é provavelmente a única voz dissidente a conseguir romper o cerco ideológico midiático e governamental, talvez porque estejamos numa época muito dif’cil de se conter a informação. Ele sé conseguiu isso porque conseguiu manipular as regras do jogo como americano, como entertainer e como cineasta. Nos EUA ele é tratado como esquerdista radical, apesar de seu discurso ser em defesa do povo norte-americano. Aqui no Brasil, ele poderia ser até do PSDB.

Em muitos aspectos o pensamento do americano médio é quase “pré-histórico” socialmente falando. Essa pré-história só há equivalentes em pa’ses com fortes origens tribais ou sob regime ditatorial, como há no Oriente Médio e ásia. Nesse último caso, a manutenção dos establishment pol’tico depende de um controle r’gido das atividades civis. A única diferença entre esses pa’ses e os EUA, e que este último tem mecanismos muito mais sofisticados de controle e propaganda.

(Olha só: dois post em dias consecutivos!!! Valeu Gabi!)


Fabricação do consenso… revisited

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Num papo cabeça, estive discutindo com meu cunhado a natureza do bipartidarismo at’pico norte-americano e sua perpetuação no poder. Ele defende, que isso é fruto de uma mentalidade manique’sta inerente das ra’zes culturais do protestantismo, da escravidão em que sempre existe um certo ou errado, o bem e o mal e que isto seria a principal explicação para a formação da mentalidade americana. Já eu, passei a defender a teoria que isso por si só não seria suficiente para explicar o fenômeno e defendi que o manique’smo dos EUA está principalmente ligado à manipulação das informaç¿ees para manter uma mesma elite no pa’s. Cheguei até mesmo a citar meu post do dia 24 de julho do ano passado, o que não o convenceu de meus argumento. E acabei escrevendo o texto abaixo, que achei melhor publicar aqui do que entupir o email dele com um texto desse tamanho. Leia quem quiser. Só escrevi sobre isso, porque adoro discutir o tema.

Até a época de George Washington, Abraham Lincoln e os tais pais da democracia americana, a sociedade dos EUA era muito baseada em cooperativas que se uniam para construir uma ponte, uma estrada etc., num esp’rito muito mais próximo de uma democracia participativa do que é o pa’s hoje. Ainda que os governantes acabassem sendo todos da elite intelectual, como o nosso amigo George Washington, a sociedade tinha uma participação mais ativa, uma vez que o Estado foi decorrÃçncia da organização civil e não ao contrário como no Brasil.

Se a natureza protestante anglo-saxônica fosse essencialmente manique’sta, o sistema bipartidário dos EUA seria dividido entre dois partidos que representam segmentos diferentes da sociedade. Como existe o partido Conservador e o Trabalhista da Inglaterra, por exemplo, que pelo menos mostram diferenças nominais. Já os partidos Democrata e Republicano são originários de duas vertentes da elite. O norte contra o Sul, aquilo tudo. O primeiro um pouco mais progressista e o segundo completamente conservador, mas sem qualquer referÃçncia a trabalhismo, socialismo etc. As crenças são as mesma, mas algumas variaç¿ees causam discordâncias. Mais ou menos como a briga entre católicos e protestantes na Irlanda. Ambos acreditam no mesmo Deus, o problema é o Papa…

é certo que a tradição WASP tem uma tendÃçncia racista, separatista e imperialista, como havia em grande parte da Europa. Por isso, não houve miscigenação racial nos EUA como no Brasil (a natureza do portuguÃçs era completamente diferente da dos ingleses, por exemplo). Mas, ao meu ver, a origem do bipartidarismo sui generis americano não é uma conseqüÃçncia direta dessas caracter’sticas culturais.

Abraham Lincoln manifestou sua preocupação como o crescimento das corporaç¿ees e sua influÃçncia na sociedade como uma ameaça real à democracia americana. E de fato ele tinha razão. As idéias de controle social a partir da informação nasceram na Europa, ainda no século 18, como forma mais eficiente de manter a opinião pública do que a força bruta. A elite econômica sempre quis por em prática isso, mas na Europa, devido a sua história, fronteiras próximas e tradição cultural, isso era dif’cil.

Os EUA era uma pa’s novo que não tinha ra’zes culturais profundas. E também não era uma áfrica ou Brasil, cheio de “bárbaros” e “seres inferiores geneticamente”. Não, os americanos eram ingleses, irlandeses, enfim, europeus despatriados. Além do mais, os EUA tinha fronteiras com outros pa’ses de pouca significância (o que impedia a circulação de novas ideologias) e ainda tinha sa’da para dois oceanos. O berço ideal para se implementar um projeto de nação que servisse aos interesses de uma elite econômica e intelectual com tendÃçncias imperialistas. Tudo o que precisa ser feito era manter a opinião pública sobre controle para que o status quo se mantivesse sempre no poder e pudesse garantir a continuidade de seu projeto.

Esse tipo de pol’tica e manipulação social vem sendo feito conscientemente por parte da elite dos EUA pelo menos desde o começo do século 20. E conseguiu minar movimentos sociais nos EUA como o sindicalista, que era uma grande ameaça a perpetuação desse projeto. Tudo funciona desde de que a opinião pública seja favorável. E para isso é necessário haver mecanismos para a “fabricação do consenso”. Foi assim durante a Segunda Guerra, o macartismo, a Guerra Fria e o recente caso da invasão do Iraque só vem a confirmar a manipulação da sociedade ainda é um procedimento padrão. Governo e empresas se unem para fabricar uma realidade, um inimigo. Mas a momentos em que o mundo virtual se estilhaça e o a sociedade não pode ser mais manipulada em assunto espec’ficos, como foi o caso do Vietnã, por exemplo. E o do Iraque segue o mesmo rumo. Mas logo um novo inimigo vai aparecer.

No Brasil, a vontade da sociedade não conta tanto, pois as elites estão acostumadas a governar à revelia das massas. Aqui não é necessário um controle r’gido do que população pensa. A maioria da sociedade possui n’veis baix’ssimos de educação, os currais eleitorais ainda permanecem, a máquina do Estado ainda é extremamente burocrática e tudo isso é somado ao corporativismo a substituição das elites regionais pelas multinacionais. Ou seja, não há bases democráticas que propiciem mudanças bruscas nos paradigmas neo-liberais impingidos pelo Consenso de Washington. Por enquanto, pelo menos.

Antes de 64, os trÃçs principais partidos brasileiros eram o PTB, UDN e PSC ó com o PCB sempre correndo à margem, muitas vezes na ilegalidade ó ; nenhum que representasse a sociedade realmente, apesar das tendÃçncias paternalistas de Vargas e o PTB. Como o PSC foi criado em 1945 por interventores estaduais nomeados por Vargas, podemos dizer que basicamente havia um bipartidarismo no Brasil, como nos EUA. No Brasil só há hoje muito partidos porque a ditadura militar esculhambou o pa’s de tal modo, que acabou desmobilizando as oligarquias locais, permitindo o surgimento e crescimento de um partido como PT (certo, que já não é o mesmo de antigamente), junto com o nascimento de uma esquerda com voz ativa. Isso porque alternâncias reais de poder fazem parte da história e dinâmicas sociais de quase todos os pa’ses. Quase.

Nos EUA nunca houve uma partido de esquerda com grande representação, ao contrário de boa parte da Europa, onde ainda existe conceitos, ainda que vagos, como trabalhismo, social democracia, etc. Nos EUA esses conceitos foram deliberadamente suprimidos de qualquer discussão nacional. Só existe um partido de direita e outro ainda mais à direita. Agora, como é que um nação dessa proporção ó e com liberdades de pensamento garantidas ó consegue manter a mesma elite econômica e intelectual no poder por mais de um século sem que haja por trás um grande projeto pol’tico que una os poderosos e garanta a sua perpetuação no poder?


Amor sem pieguices

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Poucas sensaç¿ees se igualam à de sair do cinema depois de ver um filme realmente bom. “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” é mais uma das manifestaç¿ees de genialidade (ou insanidade, como queira) de Charlie Kaufmann, o mesmo roteirista de “Quero ser John Malkovitch”, “Adaptação” e “Confiss¿ees de uma Mente Perigosa”.

Para quem achou esses filmes pirados demais, aqui vai uma boa not’cia: é mais dif’cil decorar o t’tulo de “Brilho Eterno…” do que compreendÃç-lo. Não que o roteiro seja simples e linear. Não é. Mas a temática é menos surreal que “…John Malkovitch”, por exemplo.

Na verdade, antes de mais anda, é uma história de amor e, o que é melhor, sem pieguices. Quem nunca sofreu por ficar lembrando dos maus e dos bons momentos com alguém? Quem não chegou a pesar em como seria mais fácil simplesmente apagar aquela pessoa da memória?

Jim Carrey e Kate Winslet estão ótimo e nesse filme achei ela especialmente linda. O filme também dá a oportunidade de Jim Carrey ser o clássico Jim Carrey na dose exata, sem muitas caretas e exageros.

Enfim, meu resumo é que nem aquelas citaç¿ees de cr’ticas que vÃçm atrás da caixinha do DVD:

“Engraçado e emocionante.”

* * * * *

Em compensação, assisti ontem “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Quase trÃçs horas de obviedades, redundâncias e violÃçncia excessiva e completamente desnecessária.

Mas confesso que não vejo nada de anti-semitismo lá, inclusive porque Jesus praticamente só apanha dos soldados romanos com ares de bÃçbados fanfarr¿ees. Os judeus não fazem nada muito diferente do que diz a B’blia. Os soldados romanos (Pilatos é um doce de criatura), Caiafás e companhia é quem são os grande vil¿ees.

é melhor assistir Jesus Cristo Superstar que tem ótimas músicas, é mais curto e conta a mesma história, que, por sinal, todo mundo já sabe mesmo.

Aliás, acho até que Mel Gibson poderia fazer ter feito algo mais interessante se falasse também dos dias após a ressurreição. O único filme que vi que abordou de forma não histórica o tema foi “A Última Tentação de Cristo”, de Scorcese. Mel perdeu a oportunidade de dar a visão “oficial”.


Orkut

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Algumas pessoas que conheço estão se esforçando para fugir do Orkut. Acho justo, mas penso que é algo que não vale a pena. A pessoa vai perder mais tempo recusando os convites e se justificando com os amigos do que se cadastrar do Orkut e esquecer do assunto.

Se bem que esquecer do assunto talvez não seja poss’vel. Hoje em qualquer rodinha de pessoas é inevitável que o assunto Orkut apareça. E quem ainda resiste vai se sentir de fora ou vai fazer pose de “eu-não-sigo-tendÃçncias-mas-tenho-piercing-na-l’ngua”.

Para mim o Orkut é basicamente um coleção de amigos e conhecidos cuja a utilidade varia de acordo com a ocasião. Gosto principalmente de descobrir que pessoas do fundo do baú ainda existem e poder contactá-las facilmente.

Estou inscrito em várias comunidades, mas não participo delas. Prefiro dedicar esse tempo à música, que é mais importante. Porém, acabo de descobri que tem uma comunidade dedicada exclusivamente à minha banda, Libera o Badaró. Dessa terei que participar. Acho.

O Orkut também pode ser bom para auto-estima. Tenho 22 fãs declarados, e várias pessoas anônimas me acham, legal, confiável e até sexy, sabe lá por que motivo.

Penso que o sucesso do Orkut entre os brasileiros se deve principalmente à nossa natureza gregária. Queremos ter muitos amigos. E com o serviço, as pessoas viram um modo mais humano de se comunicar digitalmente, coisa que o e-mail e os mensageiros instantâneos não fazem da mesma maneira.

Imagino que devam ter pessoas que entram no Orkut como se estivesse chegando num bar ou festa cheio de amigos e acabam viciando em relaç¿ees virtuais e acabam esquecendo de que as relaç¿ees no mundo real talvez sejam mais importantes.


A lista

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Achei curiosa a lista dos dez filmes de maior bilheteria de todos os tempos no Brasil, publicada ontem na Folha. Tirando o Titanic em primeiro lugar, que é uma bosta de filme mas foi o mais assistido nos cinemas de quase todo mundo, Tubarão, ficou em segundo, e “Dona Flor…” em terceiro, o que seria motivo para comemorar o cinema nacional se os dois últimos filmes não fossem de 76 e 75, respectivamente.

Não só isso, como a maior parte da lista data da década de 70! Em quarto está “Inferno na Torre” (75) e, meu Deus, “Terremoto” (75) em décimo! E o pior que eu vi esse último num cinema do interior quando eu tinha uns 5 ou 6 anos… Nos anos 80 apenas “E.T.” (1982) entrou. E, de 90 pra cá, só estão “Ghost” (90) e Homem-Aranha (2002), fora o Titanic (98).

Então mais pessoas iam ao cinema nos anos 70 em relação às outras décadas, é isso? Estranho, pois a população aumentou assim como o número e a qualidade das salas de exibição. é claro, o ingresso encareceu. Mas esse fato apenas explica tudo? Talvez seja a popularização do videocassete e agora o DVD a partir dos anos 90. Mas não acho que seja só isso, já que a década de 80 foi ainda pior que a sucessora.

Uma das explicaç¿ees óbvias pode ser o empobrecimento cultural não só entre as camadas mais baixas mais da classe-média e a elite brasileira (ou seja, todo mundo), que preferem agora uma boa balada ó ou, pior, ficar vendo programas de auditório na TV ó a um bom cineminha. Mas não pode ser só isso numa época em que o markting faz as pessoas comprarem qualquer coisa.

Enfim, não sei as raz¿ees exatas para o fenômeno, mas acho que o assunto merece um estudo sociológico. A verdade é que algo tem que ser feito para mudar a situação. Pelo menos até “Inferno na Torre” e “Terremoto” sa’rem da lista, já que não será poss’vel tirar o Titanic.


Lembranças do feriado

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Frase lúdica que escutei num karaokÃç de um cara que estava olhando a bunda de uma mina:

“Puta baiana filha da puta gostosa do caralho!”

Fiquei até emocionado.

* * * * * *

Mas a cena marcante mesmo do feriado foi o acidente de carro em frente à minha casa. Dois caras de uns 60 anos de idade completamente bÃçbados dentro de um Palio enfiado num poste (detalhe: o carro estava subindo a ladeira). O motorista com cara de quem nem sabe o que está acontecendo. A seu lado, seu amigo com a cabeça e a boca ensangüentada. O socorro demora a chegar e enquanto esperam eles conversam e de vez em quando riem ó o passageiro perdeu inclusive alguns dentes ó como se fosse algo normal. Logo chegou o aux’lio na forma de um caminhão de bombeiro desses enormes que só vemos quando há incÃçndios. Um pouco desproporcional para uma rua em que só passa um carro por vez.


The Best of Chez Nigro’s II

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Esse é de março de 2003. As mulheres tÃçm o poder de, ocasionalmente, desestabilizar meus hormônios e, quando vejo, estou escrevendo poesias, que ainda acho que é coisa de viado… ;-) Nem lembro por que motivo escrevi isso. Acho que me apeguei as memórias desses eventos que nunca aconteceram:

Memórias do nunca

Lembro dos momentos com aquela mulher que nunca vi
(mas que eu tenho um pressentimento de que está ainda por a’)
De nunca ter esbarrado com uma Fernanda rua acima
e, anos depois, descobrir que seu sobrenome era Lima

E daquela frase muito genial que eu não disse a ela,
apesar de ter quase certeza de que estava me dando trela
Ou de quando falei a tal frase, que ela certamente não entendeu
Na verdade, fez cara de espanto porque nada disso realmente aconteceu

E também não paro de recordar é a Camila que conheci numa fila do Banco Real
E que faltou nos nossos encontros imaginários, o que, querida, me deixou muito mal
Mas, neste momento, me apego mesmo aos dias que não passei com aquela pessoa com um papo maravilhoso
justamente porque o destino ó esse roteirista de quinta categoria ó planejou uma brincadeira de gosto duvidoso

Nossas melhores memórias muitas vezes são de coisas que jamais aconteceram
Algo como aqueles anci¿ees, que não existiram e, por isso, não envelhereceram
Elas são pequenas células, autônomas e passageiras
mas sempre voltam para lembrar das nossas asneiras
E também para dizer que desejamos o que não temos
O que nos motiva a manter as mãos em nossos remos


The Best of Chez Nigro’s I

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Esse sonho eu descrevi aqui no dia 17 de janeiro de 2003:

“Estava numa festa e, de repente chegou o Lula, nosso presidente. Ao subir a escadaria do salão, Lula enfrentava uma multidão de pessoas miniaturizadas espalhadas pelos degraus e ele tentava cuidadosamente subir a escada sem pisar em ninguém. O simbolismo disso me parece tão óbvio, que qualquer interpretação parece desnecessária.”

Essa semana tive o seguinte sonho:

Estava fronteira com o Paraguai, no controle de imigração e eu era uma agente secreto. Meu parceiro era o Brad Pitt e o meu chefe era Dan Lauria, o pai do Kevin Arnold, em Anos incr’veis. Estávamos no meio de uma operação especial. Lembro de ter invadido um escritório cheio de gente, que me olhava perplexamente. Eu estava segurando a arma pelo cano, de modo totalmente errado. E nem sabia por tinha invadido aquele lugar.

Qual a relação entre os dois sonhos? Talvez nenhuma. Mas não sei porque me lembrou a pol’tica econômica do Palocci.