Archive for August, 2004
August 30th, 2004
Opa! Tivemos problemas com o servidor (acho que é por isso que os servidores querem aumento). Acabei perdendo algumas imagens e sei lá mais o que… Enfim, estamos trabalhando para reconstruir o Chez Nigro’s, tudo depende de aprovaçnao de verbas, licitaç¿ees, terceirização de serviços e a propina dos atravessadores.
Reclamaç¿ees com a gerÃçncia.
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Lamentei muito o fim das Olimp’adas. Durante todo o evento acompanhei todo qualquer tipo de esporte, o que é estranho, pois faz dois anos que não paro para ver uma partida de futebol, quanto mais handball ou vôlei. Aliás quase morri do coração na partida de vôlei feminino Brasil x Rússia. Além disso, o iatismo agora é o grande esporte brasileiro! E nada mais brasileiro do que Robert Scheid e Torben Igrael… Gostei também da dignidade da Diane. Errou, errou. Mas não amarelou.
August 24th, 2004
Olhe a sua volta e me diga que não há pena de morte nesse pa’s. Por favor, não destrua a ilusão de que vivemos num pa’s civilizado e onde valores humanos estão acima de tudo. Não me conte que a barbárie tornou-se a lei dominante e que os ignóbeis e escrotos decidiram resolver o problema de exclusão social a partir da remoção cirúrgica dos infortunados. Esqueçam Filinto Muller ou Mengele. Os novos carrascos estão soltos por a’ e os subversivos agora são aqueles que ousam expor a ferida da miséria e desigualdade da sociedade brasileira. Eles já conseguiram se livrar de alguns. Agora só faltam alguns milhares. Depois, quem serão os próximos?
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Durante uma palestra de Noam Chomsky sobre o mundo depois da invasão do Iraque, uma pessoa preocupada com os filtros de informação da m’dia americana perguntou se ele poderia recomendar quatro ou cinco publicaç¿ees “não-tendenciosas”. Chomsky respondeu:
“Eu não quero parecer evasivo, mas eu realmente acho que essa é a pergunta errada. Nada é não-tendencioso. Tudo é apresentado de um certo ponto de vista. Se você é honesto, deixa claro o seu ponto de vista. Se você é desonesto, finge que é objetivo e coisa e tal. Na verdade depende de você decidir se acha que o estão dizendo lhe parece razoável. Então você tem que triangular, ver como o mundo parece sob diferentes pontos de vista e tomar suas próprias decis¿ees. é como se você fosse um qu’mico procurando resolver algum problema de qu’mica. Não há nada que lhe dÃç um ponto de vista não tendencioso. Dá trabalho e é ainda mais dif’cil quando você está lhe dando com quest¿ees humanas. Eu sei o que acho importante, mas é suas tarefa decidir o que importante para você. Eu, por exemplo, aprendo muito lendo o The Wall Street Journal. Eu discordo do jornal em todos os tópicos imagináveis, mas ao lÃç-lo é poss’vel aprender muito sobre o que está acontecendo, porque eles tem reportagens honestas. Lembre-se de que eles estão se reportando para o mundo dos negócios, que tÃçm um quadro semi-realista do que o mundo é. E você também aprende o que está sendo pensado nos centros de poder e isso é importante.”
August 16th, 2004
Não sei por que, mas essa discussão polÃçmica sobre a Federação Nacional de Jornalismo me lembra da vez em que o jornalista André Barcinski, ainda nos tempos da revista Bizz, deu nota zero para um disco do Hermeto Pascoal e outro do Miles Davis (na mesma página!). Oquei, não é exatamente um exemplo de grande relevância social, mas é um retrato fiel do que muitos jornalistas podem fazer apenas por não gostar de algo ou alguém. E confesso que sempre achei que ele devia ser punido exemplarmente. Não sei se perdendo a licença de trabalhar, mas piche e penas dariam o recado.
Certamente uma imprensa livre é algo imprescind’vel numa sociedade que se diz democrática. Por outro lado, o jornalista tem que ter consciÃçncia de que a imprensa tem que ser vista como um serviço público, servindo à sociedade e não aos interesses e idiossincrasias individuais ou corporativas.
Por mais que você queira e argumente, dar zero para Hermeto e Miles é simplesmente errado. é negar a pluralidade, que é o que realmente deveria ser valorizado e incentivado. Do mesmo modo, a imprensa tende a dar um zero simbólico para o MST, por exemplo, só pelo fato de não concordar com os princ’pios do movimento. Agora, os jornalistas ó com toda a liberdade que tÃçm para escrever qualquer bobagem (e digo isso como ex-jornalista) ó não perdem tempo discutindo a importância de uma reforma agrária num pa’s como o Brasil.
Não penso que seja necessário juntar um grupo de jornalista para identificar e punir o erro de um companheiro de profissão. Há os “deslizes” mais brandos podem ser muito bem ser julgados pelos leitores. Já os atos de má fé devem ser punidos como crime social hediondo. é dar zero para o esp’rito democrático. Como aliás tem feito o governo Lula ao incentivar esse tipo de idéia e coisas ainda piores como a tal “lei da mordaça” em vez de se preocupar com assuntos mais emergenciais.
E continuo achando que penas e piche são uma boa idéia pra começar.
August 5th, 2004

“Dinheiro compra até amor sincero”
(Millôr Fernandes)
August 3rd, 2004
Quem está esperando um filme para se divertir muito, pode se decepcionar com Fahrenheit 9/11. Desta vez, Michael Moore foi muito comedido em suas ironias e “pegadinhas” para constranger os poderosos (como sempre fez em seus outros filmes e programas de TV), o que foi uma boa idéia para não tirar a seriedade do assunto tratado em seu documentário.
é panfletário? Claro que é, mas é para o lado do bem. Era preciso aparecer algo para compensar a máquina de propaganda mentirosa do governo de George W. Bush. é tendencioso? Certamente. Mas Moore não quer enganar ninguém, seu objetivo é tirar Bush do cargo. Existem sim algumas pequenas falácias, mas perfeitamente desculpáveis.
Sérgio D’Avila , na Folha, disse que ó fora a incr’vel imagem de Bush parado durante oito minutos após ter recebido a not’cia de “a América está sob ataque” ó não há muitas novidades no documentário. Não concordo. Talvez ele soubesse de tudo que Moore fala no filme, mas eu fiquei surpreso com diversos fatos relatados, e olha que sou um leitor ass’duo do caderno Mundo.
Fahrenheit é forte e com momentos emocionantes, como as cenas em que Moore mostra apenas a tele negra e o áudio da torre do WTC desabando, seguido pela reação das pessoas em volta. São imagens poderosas. Mesmo a mãe do soldado americano morto no Iraque chorando e lendo a carta do filho é uma pieguice necessária como propaganda contra Bush. E como funciona. Inclusive por que o menino fala mal do presidente na carta.
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A not’cia de que o governo dos EUA tenha elevado o n’vel de alerta de terrorismo para “laranja”, tem muito a ver com Fahrenheit 9/11 (e com os últimos post desse site), que acusa Bush de disseminar o medo a fim de poder amedrontar a população e garantir que possa continuar sua legislação em prol das indústrias da guerra e petroleira e contra as liberdades civis.
A meu ver, não há sentido algum em anunciar aos quatro ventos que um atentado terrorista pode acontecer da forma detalhada com que foi feita. O objetivo da ação anti-terrorista não é apenas evitar o ato de terror, mas também pegar os terroristas antes que algo aconteça. Dizer “AHA! Eu sei que o que vocês estão tramando!” certamente não é um procedimento normal do manual de anti-terrorismo, inclusive porque os poss’veis alvos ó FMI, Banco Mundial, Citibank etc. ó não são lugares onde a população dos EUA costumam visitar cotidianamente.
é óbvio que o normal seria continuar as investigaç¿ees sob sigilo, para ter o elemento surpresa contra os terroristas. Ou Bush não aprendeu nada com o agente Jack Bauer em 24 Horas?