Putz, está dif’cil arrumar tempo para escrever aqui, o que é uma boa not’cia pra mim… e pesando bem talvez seja para vocês, os poucos que perdem tempo visitando essas páginas inóspitas. Há tempos que não vivenciava um per’odo tão agitado de trabalho e outros assuntos que não vÃçm ao caso.
Estamos na era de Aquário? Temos de cantar “Let’s the Sun Shine”? Sei lá, depois de um longo per’odo de vacas magras, venho tendo várias boas not’cias e, como bom mendigo, agradeço mas desconfio quando a esmola é grande. Ou será que devo morder a l’ngua e agradecer o Lula e o Palocci que mesmo fazendo cagada todo dia parecem convencer todo mundo que tudo está indo bem.
Bem, nem quero falar muito no assunto para não dar idéias ao destino, esse roteiristas de quinta categoria, como diria o Verissimo.
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Li que o Tony Blair anunciou que seu pa’s vai arcar com 10% da d’vida de uma pá de pa’ses pobres (não incluindo a’ o Brasil, já que é dif’cil afirmar categoricamente que este seja um pa’s realmente pobre). Que generosidade. Se esquecermos a história do império britânico por um momento, seria um ato filantrópico histórico. Porém, no meu modo de ver, os danos causado pelo colonialismo inglÃçs (e europeu) causados a muitos desses pa’ses não seria compensado nem com o perdão completo dessa d’vidas.
De qualquer maneira, o fato não nem tem nada a ver com contrição ou algo que o valha. é apenas o parisita percebendo que está prestes a matar seu hospedeiro. é bem provável que EUA e outros da espécie adotem semelhante postura “benevolente” logo mais.
Faz umas duas semanas desde a última vez que sentei para escrever algo aqui (à s vezes tenho que trabalhar, sabem como é…), de modo que perdi o timing para comentar os terroristas da TchetchÃçnia e o dia da independÃçncia, por exemplo, inclusive porque Jânio de Freitas, colunista da Folha, resumiu bem duas opini¿ees minhas: parada militar em 7 de setembro é o fim da picada e todo mundo fica com pena das crianças russas mas se esquece totalmente das iraquiana, que já morreram em número bem superior. Dito isso, vamos em frente.
Estive pensando em como muita gente tem parâmetros diferentes na hora de julgar a pessoa pela sua personalidade e as aç¿ees que ela realiza. é bastante curioso, por exemplo, o fato de o ’ndice de aprovação da administração Marta Suplicy ser maior do que as intenç¿ees de voto do eleitorado. Em outras palavras, muita gente aprova o que ela faz não aprova o que ela é como pessoa. O que essa turma está dizendo realmente é: “não me importa se você está fazendo coisas que acho correto, o fato de você parecer uma perua desbocada e mimada é o que define meu voto contra”. é um modo de encarar as coisas.
Mas vejamos a coisa por outro ângulo. Não seria poss’vel que as realizaç¿ees da administração de Marta estejam ligadas justamente a seu caráter intempestivo? Antes de que alguém me entenda mal, não morro de amores por ela. Acho que ela poderia ser mais modesta e simpática, mas isso não me importa muito. Vejo Marta como uma pessoa mais autÃçntica do que a grande maioria dos pol’ticos. E é corajosa. Contrariando à tendÃçncia paz e amor do PT lulista, ela disse não ao apoio do PMDB e descarta qualquer possibilidade de Maluf subir em seu palanque. E o Serra com o PFL? E a Erundina com o Quércia? Complicado isso.
A fam’lia da Eza (minha segunda mãe, que sempre trabalhou para a fam’lia) deve estar feliz. Todas as suas filhas, netos e cunhados estão empregados com carteira assinada (ou algo próximo disso). O Bilhete Único e os novos corredores de ônibus estão indiscutivelmente facilitando a vida de quem depende do transporte público e não é à toa que os votos de Marta vÃçm da periferia. O túnel da Rebouças está parado? Foda-se. Importa mais o ônibus estar andando e as pessoas perceberem que uma pol’tica de distribuição de renda é o mais importante, pois acredito que o bem-estar social é pré-condição para o bem-estar individual.
Não, não acho que Marta e nem sua administração são perfeitas. Porém, acredito que a prefeitura comprou uma briga grande contra a máfia do transporte e venceu. São Paulo é to tamanho de alguns pa’ses e penso ser um lugar basicamente inadministrável. Outras máfias estão por a’. Não é poss’vel resolver todos os problemas de uma só vez, mas pela primeira vez em anos vejo algo realmente concreto sendo feito. O meu voto é pela continuidade, coisa que brasileiro não costuma acreditar. E não tenho garantia nenhuma de que os outros candidatos acreditem nesse conceito.
Acho que tem muita gente que não lembra em que cidade vivia há quatro anos.
Um rapaz chmado Vinicius Lutti, que aparentemente perde tempo visitando o Chez Nigro’s, requisitou uma entrevista comigo (!!!!) sobre jornalismo para um trabalho escolar. Ao responder as perguntas do email, escrevi mais do que imaginava e, como estou sem inspiração para escrever, dei um copy/paste aqui. Só cortei a p[arte que eu revelava quem matou John F. Kennedy e a minha receita de faisnao recheado com cotovias silvestres. O resto segue na ’ntegra, incluindo os erros de digitação, ortografia e todas as idiosincrasias.
Por que escolheu o jornalismo como profissão? InfluÃçncias econômicas ou familiares?
Acho que escolhi jornalismo um pouco por exclusão. Eu poderia ter me dedicado à musica, mas aos 17 anos, quando sai do colegial, não sabia exatamente o que queria. Assim, quase fiz Filosofia, mas desisti. Depois entrei em Letras/InglÃçs, mas logo vi que não era a minha. Tinha uma amiga fazendo jornalismo e comecei a pensar no assunto. Era algo que eu pensava que curtiria fazer. Entrei em jornalismo na PUC, mas entrei em História na USP também. Levei as duas faculdades ao mesmo tempo, mas acabei desencanando da USP, que vida acadÃçmica não é a minha. Comecei a trabalhar em 94 e por alguns anos achei que seguiria a carreira no jornalismo… estava errado.
Quais as principais dificuldades que encontrou no meio?
As principais dificuldades são os próprios jornalistas. Jornalista não se enxerga igual. Há pouca união e muita competição. Jornalista aceita muito facilmente a “hierarquia militar” que existe em muitas redaç¿ees, ao mesmo tempo que muitos editores e diretores agem como generais que acham que já viram muitas guerras ou que só fingem que sabem demais.
Outro problema sempre é o departamento de marketing. Editoras são empresas tem que fazer dinheiro e, assim, vender anuncio é essencial. Para vender anúncios pode se fazer necessário assumir compromissos com os anunciantes ou pelo menos não ir contra os interesses deles. Assim, o pessoal de marketing e donos da publicação acabam influenciando demais nas redaç¿ees em detrimento da qualidade jornal’stica. Em alguns casos, a publicação não é nada mais do que um instrumentos de vendas para anunciantes.
Como conseguiu seu primeiro emprego?
Indicação de uma amiga, a melhor maneira de conseguir emprego.
Durante o curso, o que enfrentou de mais dif’cil? E o q mais o fascinou?
A coisa mais dif’cil do curso de jornalismo da PUC foi a mediocridade. Estrutura e professores precários, especialmente nos dois primeiros anos. Tive uma professora de “Comunicação Comparada” (seja lá o que isso signifique) que falava sobre expressionismo, mas não conhecia o filme “M, o Vampiro de Dusseldorf” de Fritz Lang. Mediocridade essa que se espalhava pela classe, contagiando muitos alunos.
Há poucos fasc’nios na faculdade de jornalismo. A única coisa que pode lhe fascinar é um bom professor. Um dos poucos que realmente gostei era um chama Otaviano de Fiori. Ele não fazia chamada, todo mundo sabia que ia tirar 7 ou 8, mas mesmo assim a classe ficava lotada. Uma lição que a maioria dos outros professores se recusam a aprender: a melhor maneira de levar o aluno à aula é ser bom. A estratégia da “chamada” é apenas uma chantagem por parte daquele que não é capaz atrair a atenção do aluno.
Quais suas consideraç¿ees a respeito da necessidade ou não da obtenção de diploma para exercer a profissão?
Do jeito que são as faculdades, tanto faz ter ou não diploma. A faculdade não prepara para a profissão. Tanto que qualquer pessoa lhe dirá que aprendeu mais em uma semana de trabalho numa redação do que em quatro anos de faculdade. Acho que o diploma não ser obrigatório, se as faculdades fossem boas. Me parece óbvio que uma pessoa bem preparada teria preferÃçncia na hora da contratação.
Na faculdade, não tive aula sobre economia, por exemplo, um assunto que cada vez tem mais importância para entender o mundo de hoje. Talvez isso tenha mudado, não sei. Do mesmo modo, não tive nada sobre pol’tica internacional ou geopol’tica. Como você vai escrever sobre eventos atuais sem entender nada sobre o assunto.
De maneira geral, o jornalista vai aprendendo esse tipo de coisa a medida que vai sendo obrigado a escrever sobre tais assuntos. Ou seja, vai ser dif’cil ele fazer algo bom no começo, pois não há capacidade de discernimento, nem formação cultural para isso. A faculdade poderia ser um instrumento para que o estagiário o novato cheguem mais bem preparados para enfrentar assuntos complexos.
Isso vale para tudo: orçamento federal, urbanização, cultura, legislação, esportes etc. Alguns assuntos tem que ir no curr’culo básico e outros apresentados como optativas, que teriam um papel fundamental para quem quer se especializar em determinados assuntos.
Como vÃç o atual mercado de trabalho?
é triste. Há uns anos, muitos jornalistas começaram a fugir das redaç¿ees para as assessorias de imprensa, que pagavam melhor. Agora, as pessoas estão não só fugindo das redaç¿ees como das assessorias também para serem profissionais liberais, que abrem empresas para viverem de frilances. Há poucas pessoas na redação fazendo o trabalho de muitos. Há pouco tempo para se apurar fatos. Os profissionais mais recentes são menos capacitados e o jornalismo investigativo perdeu espaço. O único mercado que parece crescer o de revistas femininas e de fofocas. As primeiras são o melhor exemplo de que a marketing e propagandas andas juntos. As segundas nem dá para contar como jornalismo, pois considero um desserviço à sociedade.
O que pensa das atuais pol’ticas do governo com relação à liberdade de imprensa?
Qualquer governo tem o desejo de controlar as informaç¿ees e efetivamente as controlam, já que muitas decis¿ees atitudes são tomadas confidencialmente, secretamente ou à margem da opinião da sociedade. Acho que a história do conselho de jornalistas seria conveniente não só ao governo que prestaria suas queixas a um “órgão oficial”, não sujeito à s burocracias do poder judiciário. Ao mesmo tempo, o conselho daria mais poder ao quarto poder, pois a grosso modo jornalistas seriam responsáveis por punir seus “semelhantes”, algo como um tribunal militar só que com mais joguinhos de poder.
Acho que o governo erra a dar incentivo a essa idéia, pois os jornalistas, assim como deveria acontecer com os militares, tÃçm que ser julgados pela justiça comum e pela sociedade. é claro que o papel da conselho não seria apenas o de punir, mas o de defender. Porém, já existe a ABI, o Sindicato de Jornalistas, a Fenaj e a lei de imprensa, que já são suficientemente ineficientes. Por que criar mais um órgão inútil.
Por outro lado, acho que é papel do jornalista saber que liberdade de imprensa não significa escrever qualquer asneira que lhe da na telha. Ninguém deve se esconder atrás do mito da imparcialidade jornal’sticas para implementar agendas pessoais em nome da liberdade de imprensa. Penso que atos de má fé por parte de jornalistas, dependendo do caso, devem ser punidos com rigor de crimes hediondos. A liberdade sempre tem um preço individual e coletivo. E muito fácil defender a liberdade de expressão. Pô-la em prática pode ser dific’limo.