Excursão a Paris

Eu não sei quanto a vocês, mas eu passei um reveillon bate e volta em Paris. Quem me conhece sabe como eu sou impulsivo. E achei que valeria apenas ver Paris novamente, nem que fosse só, por algumas horas. Afinal, a Kalango Turismo me ofereceu o um pacote turismo num grupo de 30 pessoas irrecusável: apenas 800 pesos bolivianos (a agência é da Bolívia). Para quem está com inveja, aqui vai meu diário contando todos os pormenores da viagem.

Sábado

20h – Check-in para o vôo das 21h30 da JesusCalling Airways no Aeroporto de Cumbica.
23h – Jantar no McDonald’s após notícia de que o vôo irá atrasar. Alguma coisa no cabo da embreagem, parece. Piloto pede para darmos uma empurradinha no avião para ele pegar no tranco. Funcionou!

Domingo

1h30 – Mesmo com uma turbina a menos e problemas no trem de pouso, o avião segue seu destino. Paris, aí vamos nós.
3h30 – Jantar/Buffet self-service por kilo (US$ 0,60 por 100 g) fornecido pela rede de restaurante internacional ítalo-chinesa Mezzo Yin Mezzo Yang. A companhia aérea diz que não se responsabiliza (nem vai limpar) por pratos que caiam não chão durante turbulências.
4h30 – Exibição do filme “Vai Fundo, Meu Nêgo”, estrelando Paulo Cesar Grande, Suzy Rego Grande, Zé Celso e grande elenco.
10h – Atividades coletivas (barra-manteiga, Stop e beijinho-abraço-aperto-de-mão e outros jogos) na cabine do piloto, que teve que dar uma saidinha para comprar cigarros. Tive a oportunidade de pilotar um pouco o avião.
19h30 (GMT) – Escala no Afeganistão, à pedido de um terrorista e sua delicada metralhadora AR5, que o pessoal da alfândega tinha confundido com um berimbau. Tivemos três horas livres para aproveitar a capital paquistanesa, cujo o nome não vem ao caso. Carros blindados estavam a disposição dos mais receosos.
22h30 – Sem previsão ainda de decolagem. Turbina do avião se soltou misteriosamente da asa. Como as leis no Afeganistão são meio rígidas, as crianças foram sacrificadas, pois obviamente estavam envolvidas no caso. Na ausência de pimpolhos, uma vaquinha foi feita entre os passageiros para comprar uma nova turbina.
23h- Jantar de confraternização com uma dissidência da Aliança do Norte. Traje: coturnos, colete a prova de balas, para os homens, e véu para as mulheres. Engraçado é que o Bin Laden compareceu junto com a Hillary Clinton.

Segunda-feira

12h30 – Estranhamente, os terroristas terminam a noite com véus na cara e as mulheres com suas metralhadoras. Homens jogam futebol com uma tâmara.
3h00 – Companhia aérea substitui avião por um mono-motor de tamanho razoável. Algumas pessoas terão que viajar penduradas do lado de fora. Hábito dos afegãos.
11h – Paris, finalmente. No aeroporto Charles De Gaule, metralhadoras intrigam os fiscais da alfândega. Mulheres explicam que são presentes para os sobrinhos (“Sabe quanto custa uma dessas no Brasil?, argumenta uma). O diretor da alfândega, Monsieur Pompadour, diz que dessa vez passa. “Mas só por causa do Paulo César Caju!”.
12h – Chegada ao Hotel Menage a Dix-Neuf. Recepcionista é bem simpático, mas completamente surdo e não entende nada do que está acontecendo e acaba instalando tomo mundo no mesmo quarto com uma cama de solteiro e um colchonete.
13h30 – Almoço no melhor McDonalds de Paris.
15h – Atividades recreativas:
* Partida de paintball nos corredores do Louvre.
* Bungee jump na Torre Eifel
* Curso para grafiteiros em Notre Dame
* Jet-ski no Rio Sena
* Coleta de cocô de cachorro
18h – Visita à FNAC para compra de souvenirs locais.
19h30 – Pit stop em um café a caminho do hotel. Guerra de baguetes. Monsieur Pompadour reaparece do nada e termina a brincadeira e leva todo mundo para a delegacia. Por sorte, Paulo César Caju aparece e dá um jeito de liberar todo mundo, olhando feio para Monsieur Pompadour. “Obrigada, Alexandre Pires”, diz uma das mulheres do grupo para o Caju.
20h30 – Banho coletivo no único banheiro disponível no hotel. A essa altura todo mundo já está entrosado e não rola nenhum tipo de constrangimento, fora os de origem biológica.
22h00 – Noitada fantástica no SEXODROME do bairro de Pigalle (região das meninas bagunceirinhas). Mulheres por conta da casa (no caso são as mulheres do grupo que entram de graça). Grupo de turistas filandeses se entrosa com os brasileiro. O clima esquenta e todos tiram as roupas e começam a dançar freneticamente. Ninguém é de ninguém. Ou melhor, todo mundo é de todo mundo.

Terça-feira

1h30 – Grupo latino-escandinavo sai da boite com seus corpos nus, que estão tão quentes que nem sentem os ventos gelidos do inverno. A turma segue por toda Champs des Elisees e os parisienses se empolgam com o que acham ser um bloco de carnaval brasileiro e aderem também à celebração. Uma grande multidão desnuda chega ao Arco do Triunfo. Show de fogos. Fogo da galera que já bebeu demais e começa um bacanal de fazer inveja ao Bill Clinton. A cidade inteira junta-se a festa. Até Jospin, tira a roupa gritando “Às favas com Yves Saint-Lorent!”. Paulo César Pereio também aparece, mas ‘é expulso por mal comportamento.
Paris nunca foi tão bonita. O ideal da revolução finalmente se concretiza: liberdade, igualdade e fraternidade sexual. O homem na visão de Rousseau finalmente pode ser contemplado. A humanidade encontra a saída. A alegria, os risos e o orgasmo simultâneo de todos em Paris redimem a humanidade de seus erros. Enfim, o Nirvana (não é a banda) sobre a Terra.
6h – As ruas de Paris estão desertas. Só o grupo de brasileiros e alguns filandeses caminham em direção ao hotel, cantando Bandeira Branca e outros clássicos.
8h30 – Saída para o Aeroporto. A caminho do aeroporto, não se vê nem sinal da noite anterior. O dia está bem nebuloso. Os parisienses andam de cabeça baixa evitando olhar para os outros com medo de serem reconhecidos. Os jornais locais não dizem nenhuma palavra sobre o acontecido. No ônibus, porém, os brasileiros e o Pereio (de novo!) continuam animados brincando de “par ou ímpar” com os pêlos pubianos uns dos outros (voltamos todos depiladinhos…)
9h30 – Turma faz check-in cantando Odara. Monsieur Pompadour atende o grupo pessoalmente e não dá um pio sobre as metralhadoras e nem sobre pedaços dos vitrais de Notre Dame que o grupo usa para se abanar.
11h – Grupo de filandeses também está no avião. Resolveram morar no Brasil. Festa recomeça e todos tiram a roupa, aeromoças e pilotos inclusive.
18h – (horário de Brasília) – Tirando o pouso forçado em Guiné Bissau, o vôo chega em Cumbica sem maiores problemas. Todos se vestem e descem do avião. Metralhadoras passam sem problemas pela alfândega. Na saída do aeroporto, todos se abraçam (quase tirando as roupas, de novo), choram e prometem que vão continuar a se encontrar e que a magia não pode acabar.

Quarta-feira

Paulo César Caju toca a minha campanhia. Está com mais duas pessoas encapuzadas. Acho que estão armados…

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