Concepção: Tomas Kenedi
Texto:Tomas K./Márcio N.
ÍNDICE
Capítulo I………………………………………As cotovias também dançam o twist
Capítulo II……………………………..As arapongas também cantam em hebraico
Capítulo III………………………………………………….. O meu pipi no seu popô
Capítulo IV………………..Tiuê, pega a bola de capão pra nóis jogá no campinho
Capítulo V……………………………………………………………………Inconclusão
INTRODUÇÃO
Os Ewoks, ao longo dos anos, têm se rebelado contra toda a sociedade de consumo criando um movimento chamado Jovem Guarda Ewok, onde a música era a principal preocupação. Em suas letras eram trabalhados temas pesados como as características da difícil personalidade dos ornitorrincos carecas, ou temas polêmicos como a questão da fotografia em braille.
Tudo era arte, nada era convencional, porém com todos os paus eles fizeram uma canoa e navegaram os sete mares procurando a jaca da sabedoria. A jaca lhes mostraria a luz e talvez os fizessem achar algum sentido para o seu movimento rebelde o qual eles defendiam com tanta convicção. Os Ewoks diziam: “tudo era lindo maravilhoso, até debaixo dos escombros nosso amor era mais gostoso”.
Muitos e muitos Ewoks se rebelaram contra o movimento pois, apesar de concordar com os ideais deste, alegavam autoritarismo dos diligentes do movimento. Alegavam que eram indivíduos com vontade própria e que nenhum dirigente poderia impedi-los de beber sua Tubaína depois do cursinho. Assim estes formaram uma nova facção deste movimento que foi denominada Os Catatônicos de Mãe Menininha. Este grupo era muito radical, levando seus ideais as últimas conseqüências, com atitudes que eram de uma violência e de um impacto aterrador como, por exemplo, roubar Sonho de Valsa nas lojas Ewokianas, ou até oferecer a música Para Não Dizer que não Falei das Flores ao Figueredo. Estas atitudes abalaram os alicerces de toda a sociedade, mas com o passar do tempo esta aprendeu a não dar mais confiança a eles.
Assim estes foram se modificando, mudando de ideais de atitudes e passaram de rebeldes músicos e artistas inconformados a magníficas parteiras, as quais foram lembradas eternamente por seus atos de suicídio coletivo em forma de protesto contra a liberação sexual dos aborígenes da Austrália.
Com o trágico e nobre fim do movimento Ewok, surgiram os Novos Baianos Mutantes que não se conformavam com as más condições dos banheiros dos estádios de futebol. Tinham um famoso grito de guerra: “Não queremos mais fazer caquinha em pé!”. Isto fez com que conquistassem novos adeptos.
Fizeram um filme de arte que foi considerado pelos piores intelectuais underground daquele momento. Porém para o resto das pessoas normais o filme era um forte candidato a adubo. O filme tinha o título de A Morte das Rolinhas Lésbicas e o enredo enfocava de maneira suave, porém caótica, o episódio da revolta dos Barômetros de Catanduva.
Todas as revoluções na arte, na música, no tratamento dentário, na ufologia, na baixa do sapateiro, ajudou a engrenar todo um processo de reformulação de conceitos, de atitudes, de alimentação, de higiene etc.
A parte crítica foi a mais criativa, as pessoas estavam iluminadas pela divina providência da imaginação. Tudo era lindo maravilhoso, até debaixo do rolo compressor o amor deles era mais gostoso. Até o dia em que os Barômetros Cegos invadiram e tomaram todo o país, saqueando, pilhando, roubando, estuprando e medindo à pressão atmosférica. Eles tinham como objetivo fazer pressão sobre as classes mais pobres para depois medi-la, e faziam à força, sem pedir licença. Assim os Barômetros Cegos dominaram o país por longos e tenebrosos milênios.
Até que surgiu Adermórgenes, o calvo, que foi considerado um herói, um enviado de Jabah, o único que poderia salvar a sociedade da opressão que tanto lhe oprimia. Ele pulava, dançava, cantava Babalú em grego e isso impressionava os oprimidos que até esqueciam da opressão dos opressores.
Adermórgenes, o calvo, acabou com os opressores fazendo com que eles morressem de embolia cerebral e de uma doença desconhecida no saco escrotal, ao recitar ininterruptamente durante 32 horas todas as letras das músicas do Legião Urbana. Ele tornou-se o governante do país, governando com democracia, austeridade e epilepsia.
Adermórgenes criou benefícios aos tetraplégicos, como o incentivo aos esportes de ação e cursos gratuitos de expressão corporal. Criou, também, o Museu de História Banal Ewok e o monumento ao Baiano Mutante Desconhecido (apesar de todo mundo saber muito bem quem era o safado), agradando assim a Ewoks e Baianos.
Foi considerado pelo povo o legítimo filho de Jabah, o escolhido, o iluminado, o ilusionista, o dia do Chacal, o poderoso chefão, o bom, o rei da cocada preta, o dono da bola, etc… Porém tudo foi por água abaixo quando ele saiu de baiana do carnaval. Foi deposto e executado de uma forma terrível, sendo trancado num quarto com um corretor de seguros, uma manicure e um cantor sertanejo acompanhado de seu violão, e isto durante dez anos. O seu estado ao sair de lá era lastimável, ele estava semi-catatônico e tinha alguns momentos de delírio em que dava três pulinhos e gritava: “Eu sou Ângela Maria!”. Depois de cinco dias veio a falecer sendo homenageado com uma rodovia batizada de Babaloo Highway.
O país virou uma bagunça, pois não havia mais uma unidade política como nos velhos tempos, e isto fez com que a próspera sociedade Ewok entrasse em decadência, quando a moral e os bons costumes foram totalmente esquecidos, e se passava rasteira em velhas senhoras, roubava-se doces de crianças, botava-se fogo em asilos, entortava-se antenas de carro etc.
Todos estes acontecimentos geraram a revolta de alguns Ewoks inconformados que resolveram formar ( para variar ) um movimento que denominava-se A Gangue dos aerotetos Descalços, que tinham como proposta não fazer nada sem o consentimento das mães.
Os Ewoks e a Sociedade
A sociedade Ewok era denominada polifônica, pois as classes sociais eram divididas de acordo com o alcance vocal: baixos, barítonos, sopranos, contraltos, tenores, cantores de bossa nova e mudos. Sendo que estes últimos eram os que praticavam o exercício político, fazendo grandes comícios e reuniões populares para passar à população, através da mímica, suas idéias políticas, o que, às vezes, era perigoso, pois as pessoas poderiam entender mal certos assuntos, quando o político encenava o problema do homossexualismo, por exemplo.
Todo o complexo social dos Ewoks se formou sobre as bases do neo-escravismo-liberal. Apesar de ser uma sociedade liberal, era também extremamente machista, por isso os tenores e os contraltos foram escravizados. Porém, todo escravo tinha o direito de fazer livremente o que quisesse, contanto que se restringisse às funções de um escravo. Portanto, este era um indivíduo feliz em sua sociedade, pois tinha o direito de ser escravo aonde bem entendesse, bastava apenas cortar a perna, se livrar das correntes. Além do que, tinha direito a exigir mais ração e menos tortura. Um escravo só era libertado se fosse atropelado por um submarino amarelo.
O sistema escravocrata durou cerca de zil anos e trinta e três avos. O fim desta época se deu quando um escravo chamado Bilú, o mais agressivo entre os escravizados, botou seu senhor contra parede e disse: “Viu doutor…Se não for muito incômodo…sei lá…eu queria…ééé…ter… a minha… minha…liberdade…”. O senhor, sem exitar, respondeu: “Tudo bem”. Bilú ficou espantado e decepcionado e tentou alegar que era brincadeira, mas já era tarde demais. A escravidão havia encontrado o seu fim.
Entre os anos 243 e 2888 db (depois da Balalaika), surgiu um líder espiritual chamado Roberto
Henrique, conhecido também como Roberto, o Rei, que começou a divulgar a doutrina de que a paternidade era um dom de Jabah (o todo quase poderoso), mas que, porém, a maternidade era um dom maligno de Xuxu Beleza, o demônio. Tal fato causou muito rebuliço naquela sociedade, o que obrigou as fêmeas a abdicarem da maternidade e se dedicarem à paternidade.
Roberto, o Rei, divulgou outras idéias de cunho existencial, como, por exemplo, afirmar que um indivíduo só encontraria a verdade absoluta quando espirrasse sem piscar os olhos. Quando foi provado que isto era impossível e que até Jabah piscava o olho quando espirrava, Roberto Henrique foi cruelmente exposto à humilhação pública, sendo obrigado a andar entre a população com um chapéu na cabeça com os dizeres MEIN KAUNPH e gritando “Eu sou fanho”. Depois disso tudo ele desfaleceu no chão, e antes de seu último suspiro ele disse: “Em terra de cego quem tem um olho é caolho, pois quanto maior é a altura maior é a aceleração da gravidade e menor é o coseno. E uma andorinha só não cria limo”. Esta fala enigmática ficou famosa e passou de orelha em orelha, de modo que chegou ao ouvido do soberano a seguinte frase, um pouco diferente da versão original: “Bem aventurados os humildes, pois deles é o reino dos céus”. Porém, a essência continuava a mesma. Assim, o soberano resolveu elevar Roberto à condição de Mestre de um Povo, devido a profundidade de sua frase e foi perdoado.
Os Ewoks e sua Arte Transcendental
Os Ewoks desenvolveram, durante os anos de sua existência, uma vasta produção artística no âmbito da literatura, filosofia, datilografia (que foi logo deixada de lado, pois era apenas para virtuosos), esconde-esconde, teatro, revistas pornográficas, etc. Porém, a principal manifestação foi a abstenção artística.
LITERATURA
A principal obra literária ewokiana foi um livro teórico-aplicativo sobre o esconde-esconde: O Chiniqueiro Livre e suas implicações na Babânia, onde o autor, Senor Abravanel de Sade, defende a tese de que o esconde-esconde era similar ao processo de esquizofrenia, o que ele denomina Complexo de Bambi. É interessante salientar que as pessoas que leram este livro tiveram coceira na língua.
FILOSOFIA
Na área da filosofia houve um escritor que influenciou toda a cultura ewokiana, este era nada menos que John Boy, o qual foi um marco no concretismo coloidal. São dele as clássicas obras As Doze Túnicas de Celsinho e Quanto Mais se Anda Mais se Quer Andar, que tratam da questão da utilidade das pombas e dos críticos de arte no mundo moderno. Foi ele que influenciou Sócrates em sua frase “Só sei que nada sei” e posteriormente a banda Verminose na música Eu sei que você sabe que eu não sei que você sabe que eu sei. Porém, o auge de J. Boy foi atingido com a obra Deus é Fresco, que criou muita polêmica e controvérsia, pois gerava diferentes interpretações. Sua última obra foi Meus Trinta anos de Silêncio, autobiografia que foi censurada por haver muitas coisas nas entrelinhas.
Já na poesia, o exemplo Ewok mais eloqüente foi Erick Decrépito, que era dotado de uma sensibilidade que até hoje não se viu igual. Fazia todos os dias poesias em seu quintal, onde provou ser ciumento para xuxu e que gostava bastante da Milú (sua adorada). Sua primeira poesia a ficar conhecida foi Milú pegou no meu bilú, porém, a poesia que o levou ao sucesso estratosférico foi O Caqui é Vermelho? (ler abaixo):
Eu sou um Ewok feliz
que escapou por um triz
do meu pendente pomar de caquis
Meu pé tem uma frieira
que coça a noite inteira
Ai meu Deus! Cadê meu tabuleiro de xadrez!?
(…)
Lalá fez cocô no Cacá
Lulu olhou o loló de Lalá
Cacá fez cocô no loló de Lalá
E percebeu que o caqui fez Iupi-Iupi-á
Decrépito tinha uma grande versatilidade de estilos, tanto que chegou a ser denominado O Camaleão de Anágua. Sua maior e melhor obra foi Caquéticos e Paracelsos de Vallia (ler abaixo de novo):
(…)
Balangando a palemonia
sacatutindo a canstentatura
o pelepegal circunflaxia
através do zimbáltico polienura
(…)
Ió, ondulado, gluglú
que delícia
a polícia, da, da,
da igreja, olha aqui
DESENHO E PINTURA
A arte do desenho e da pintura Ewok foi rapidamente dominada e chegou ao seu ponto m áximo de inspiração, virtuosismo e, por que não dizer, genialidade com o artista Jean-Luc Molotov Hanashiro dos Santos, com a obra A Filosofia de Interiorização de um Ser Complexo:

Depois deste desenho Jean-Luc, também conhecido como Terrístocles, percebeu que não havia mais nada a ser desenhado e resolveu narrar partidas de futebol assobiando, chupando cana e fazendo tratamento de canal ao mesmo tempo.
Os Ewoks e a Culinária
Os Ewoks sempre foram exímios cozinheiros, pois suas mães levavam muito à sério o prazer do paladar. Desde pequenos, os ewoks aprendiam a preparar da comida tradicional aos sofisticados pratos internacionais. O prato popular mais famoso era o ornitorrinco tuberculoso à camponesa, que tem o delicioso sabor de cortiça carbonizada. Entre os pratos internacionais o de maior sucesso era o chipanzé ao molho de girinos, conhecido também como Au Revoir les Ewoks.
Quando crianças, os Ewoks brincavam sadiamente de cozinhar um ao outro. Porém, isto foi se tornando um inconveniente, pois deste modo, não sobrariam Ewoks suficientes para construir o Zepelim da liberdade que os levaria para a terra prometida, a tão esperada Disneyland, a terra do camundongo pentelho. Todos almejavam viver na Disneyland, lá a vida seria mais feliz, tudo seria mais tranqüilo, calmo, incrivelmente agradável, excepcionalmente fútil, como toda a cultura Ewok.
A culinária Ewok era uma forma destes alcançarem o mantra, fazendo pratos para Jabah avaliar. Este selecionava os melhores pratos num concurso com calouros, jogos, brincadeiras, dançarinas e cantores de temas de novela. O vencedor era esquartejado e jogado aos tubarões.
Os Ewoks tinham, normalmente, 392 refeições ao dia, sendo que uma delas podia ser trocada por duas crianças leprosas, isto somente às quintas-feiras. No ano Rébertz d.b. houve uma onda de tráfico de menus que deixou todo o país num alvoroço. A partir deste episódio todos os Ewoks resolveram partir para uma carreira solo, cantando composições de Sullivan & Massadas e apresentando-se freqüentemente no Paradão da Xuxa aos sábados, e aos domingos faziam fatá sticas imitações de Diana Ross, Liza Minelli e outras cantoras feias na boate Corinto.
Um Ewok podia fazer uma refeição razoável num restaurante mediano por um custo de apenas doze abdominais. Já num restaurante internacional, um prato requintado chegava a custar até mil e quinhentas abdominais e três polichinelos.
Não havia banheiros no país dos Ewoks, pois eles não defecavam. Os alimentos sofriam um processo de reciclagem dentro do corpo dos Ewoks, mais precisamente no gnorfill, que transformava o que seriam as fezes em discos do Jerry Adrianni.
Conclusão: Pra Não Dizer que Não Falei dos Ewoks
“Este ensaio pode parecer para o leitor extremamente fútil e sem sentido, porém ele faz muito sentido para mim. Não só pelo prazer de fazê-lo, mas também porque é uma coisa minha e bem ou mal é o que eu sinto, é o meu modo de encarar a vida.
Talvez o cérebro seja um labirinto indecifrável, talvez a futilidade seja uma forma de expressão. Se ela está presente em todos os tipos e níveis de sociedade, por que não na dos Ewoks? Eles são personagens imaginários (apesar do nome familiar) criados por uma mente doentia, a minha. Eles são tão fúteis e sem nexo como nós, porém isso é imperceptível para os nossos olhos, pois estamos tão acostumados a ser fúteis que nem percebemos que o somos.
Enquanto no país dos Ewoks surgem os Novos Baianos Mutantes, nos E.U.A. surge o partido neo-nazista; a semelhança está na ideologia totalmente sem nexo. Então, qual a diferença entre os dois? Na sociedade Ewok os tenores e os contraltos eram escravizados, na nossa os negros. Qual dos dois critérios é mais absurdo?
Quem ler esta monografia e achar absurda, idiota e sem nexo, deveria pensar o que os Ewoks achariam sobre a nossa sociedade. As duas sociedades andam por caminhos diferentes, porém, a essência é a mesma, e com certeza o final ser o mesmo. É a mesma coisa que RAMBO I, RAMBO II e RAMBO III.”
(Tomas Kenedi)
