James Jpyce Pascowitch: Obras selecionadas

XXXIV Chez Nigro’s espanta perdizes

Mais um ano chegou, nem buzinou, e já está passando por cima da gente. É neste clima de atropelamento que será comemorado o XXXIV (pronuncia-se “vixe” de trás pra frente) Chez Nigro’s, evento que dispensa explicações (inclusive porque não há nenhuma possível) e que comemora o “cumple años” de nosso lépido, fagueiro e bem apanhado (ele continua apanhando frequentemente) companheiro Márcio Nigro, mais conhecido nos guetos de Varsóvia como Baron der Fünfhundertfünfundfünfzig Streichholzschachteln (Barão das 555 Caixinhas de Fósforo).

Ontem à noite, Márcio concedeu uma entrevista exclusiva a este humilde escrivão. Depois de beber o sétimo copo de Clight, ele abriu o jogo… e jogamos Gamão até às quatro da manhã. “Estou muito angustiado com esse evento”, disse, “minhas principais atrações para o evento, como o Anão Boliviano Filatélico e o DJ Tonen-Hum, cancelaram de última hora e agora só sobrou o Chiquinho Scarpa e a Maria Kupfer, que nem Playboy consegue vender… é muito triste”. Realmente, não é fácil. Pelo menos está garantida a tradicional revoada de elefantes e a apresentação de Roberto Jefferson, que cantará trechos de “As Bodas de Fígaro”.

Então, niños, vejo-os no sábado


XXXII Chez Nigro’s: The Espetinho’s Edition (Trance Remix)

Quem não participou do Chez Nigro’s do ano passado, perdeu. Inclusive porque não havia outra alternativa se não perder. Uns perderam os braços, outros os filhos, alguns uma grana sentida e, todos, a dignidade. Esse é o it inegável de cada edição do evento: a gente nunca sabe quando um anão boliviano com o cabelo moicano irá pousar na sua cabeça e jogará óleo de linhaça nela enquanto clama “Orgias, queremos orgias”.

Pois bem, esse ano o Chez Nigro’s, que comemora o jubileu de nióbio de Márcio Nigro, esse rapaz bem apanhado (afinal, levou uma boa surra que levou dos convidados da última vez), será realizado num ambiente terceirizado: o Espetinho Aclimação, famoso por seu espetinho de cotovia ao molho de esôfago de fuinha selecionada. Intragável e, por isso mesmo, inesquecível.

É isso. Eu vou. Não sei pra onde, mas vou


XXXI Chez Nigro’s em clima de guerra

A guerra do Iraque fará com que o 31º Chez Nigro’s – The Special Churras Edition (Simpósio, Congresso e Churrasquinho anual que visa debater o sentido do aniversário de Márcio Nigro ser todo ano) — talvez seja o acontecimento mais importante desse ano depois do Fórum Social Mundial, a exposição dos guerreiros chineses e a peladona do Big Brother Brasil. Programado para o próximo domingo, dia 6, o evento será um protesto veemente contra à má qualidade das imagens do Iraque fornecidas pelo exército norte-americano, uma grande afronta aos telespectadores de todo o mundo que, atualmente, só têm isso para se divertir na TV.Na coletiva de imprensa concedida no lavabo de sua casa, Nigro fez questão de afirmar logo de início: “Se eu fosse o Sadam raspava o bigode e, num audacioso golpe de Estado, assumia a presidência do Iraque como se fosse outra pessoa. Ninguém jamais descobriria de nada”. O curioso é que momentos depois George W. Bush pedia à Gilette que suspendesse imediatamente o fornecimento de lâminas de barbear ao Iraque. Coincidência? Só sei que a Casa Branca não confirmou se mandará algum representante ao Chez Nigro’s, mas considera enviar um tal de Mr. Toma Hawnk.

Desta vez, o Chez Nigro’s quebra a tradição do evento noturno e implementa a celebração no período vespertino, o que segundo Márcio tem a ver com Jesus. “Meu vizinho, seu Jesus, é um coronel reformado do exército que não gosta de barulho à noite, que é quando ele escuta seus LPs de polka”, explica. “Temos de respeitar o homem, inclusive porque ele tem um pitbull bem convincente chamado Colin Powell, que vive invadindo o quintal dos outros”.

O Chez Nigro’s deixará de lado o clima glamouroso das edições passadas: nada de elefantes voadores, cisnes triatletas, eunucos basculantes, clóvis bornais de mármore, ectoplasmas cintilantes, anões bolivianos filatélicos ou até mesmo os tradicionais sacrifícios de semi-virgens. Não, nada disso. “Vamos valorizar os anônimos, as pessoas desinteressantes e aqueles que não têm nada a dizer. Já instalei câmeras em toda a casa e a Globo já comprou os direitos do programa que se chamará CNB (Chez Nigro’s Brasil). Também teremos vários franco-atiradores posicionados e ganhará o prêmio — um lindo faqueiro de aço-inox e uma pulseira Sabona — quem for eliminado por último”, explica. É claro que os convidados não precisam participar do programa, mas podem se divertir ajudando a eliminar os concorrentes.

Como diria Nigro, citando Pedro Bial, que por sua vez citou o genial Luciano Huck: “Loucura, Loucura”.

Até domingo, les enfants.


XXX Chez Nigro: 30 anos enganando todo mundo (”incluindo eu mesmo”)

Não se animem meus caros leitores: não é um evento pornográfico ou festa do cabide, como XXX pode induzir a pensar. É a trigésima edição do Chez Nigro, evento anual que celebra a vinda ao mundo daquele que muitos batizaram de “El Nigro”, outros de “carinha”, alguns de “psiu”, e uns poucos, misteriosamente, de “O Camaleão de Anágua”.

É difícil acreditar mas Márcio Nigro completará 30 anos, contradizendo a previsão de uma vidente que prevê o futuro usando melões (prática conhecida como “melancia”), que garantiu que ele iria ficar com 29 para o resto da vida. Revendo sua vida, o ex-jovem se abre ao dizer que “A idéia de chegar aos 30 me fez pensar em tudo que passei: já tive um Kichute e uma BMX, bebi Undenberg, aprendi a fazer papel marché… Minha história é legal.”

E o que nos promete esse ano esse tal Nigro? “Basicamente a mesma coisa do ano passado, só que completamente diferente”, elucida o aniversariante. Ele não revela, mas a verdade é que Márcio ficou muito abalado quando soube que Paulo Coelho não tinha sido eleito como imortal da ABL e que, por isso o escritor (”excretor”, como Márcio chama o amigo) não iria comparecer ao evento. Além disso, a principal atração da festa, um anão boliviano que recita os Lusíadas na língua do “P”, foi assinado há poucos dias por um fã em frente ao edifício Copan.

É claro que isso tudo abalou nosso anfitrião, que decidiu diminuir radicalmente a lista de 1.200 convidados, com a intenção de tornar o evento um pouco mais íntimo. Assim, não esperem encontrar a Carola Escarpa ou a Mariana Kupfer, que não escaparam da guilhotina. Em compensação, Cid Moreira, Henry Sobel e Dárcio Campos são presenças garantidas.

Beijos disseminados e vejo vocês lá, enfants.


29º Chez Nigro’s agita a capital

Neste sábado, dia 7 de abril, será realizado em São Paulo, na Casa dos Caras, a vigésima nona edição Chez Nigro’s, evento anual que comemora o aniversário de Márcio Nigro, muito conhecido por todas as pessoas que o conhecem bem. Ou não.

Quem esteve presente no Chez Nigro’s do ano passado, como eu, deve se lembrar da incrível revoada de rinocerontes, das exóticas mulheres da dança dos sete ventres, do Chiquinho Escarpa bebendo água da privada, do Austragésimo de Athayde imitando o mestre Yoda dançando Macarena, do anão misterioso que gritava o tempo todo “Não me chamo Januário”, do Júnior Baiano e da Vera Verão beijando-se apaixonadamente e do pitbull que não deixava ninguém chegar perto das bebidas. Realmente, momentos inesquecíveis.

Perguntei para o Márcio o que os convidados podem esperar para esse ano e ele respondeu “Hematomas leves e pequenas escoriações”. Realmente impagável esse ariano com ascendente em siri…

Apesar dele não ter revelado , consegui a lista de convidados e atrações já confirmadas para o evento: Maestro Zezinho e a orquestra do Silvio Santos; Sandy (sem o Júnior, o que é importante); Jader Barbalho e ACM; banda Feto de Satã; Coro dos Ferreiros da Bavária; Serguei e Sylvinho Blaublau; Whadir Mutran; Tchitchicas mil; Subcomandante Marcos; Dennis Quaid (só vai se o Russell Crowe não for); Russell Crowe (mas disse que não vai se a Meg Ryan for); e Meg Ryan.

Mas, atenção, só entra na festa quem conseguir dizer “fünfhundertfünfundfünfzig” sem gaguejar e sem sotaque alemão.


Quem foi, foi…

Eu avisei, eu avisei. O 29º Chez Nigro’s ia ser uma grande surpresa. Quem foi, teve emoções fortíssimas para apenas uma noite. Pior mesmo para quem foi e saiu antes da hora (tsc, tsc). Lá pela uma da matina o DJ MC Nigro assumiu a discotecagem e a galera quase tirou roupa de tanto êxtase. Nunca um um DJ foi tão ousado. “Vem fazer Glu Glu”, com Sérgio Malandro, “Grilo na Cuca”, com Dudu França, “He-Man”, do Trem da Alegria, “Comer, Comer”, do Gengis Khan, “Como uma Deusa”, com Rosana, “Sonho de ícaro”, de Biafra, “Companheiro”, do Dominó, “Não se Reprima”, do Menudo e “Reluz”, de Marcos Sabino foram apenas alguns dos destaques. Ahhhh, quase ia esquecendo: “Tumbalalacumba”, com a Vovó Mafalda! Coisa linda. Me emociono só de lembrar.

Sobre a corografia que realizou ao som de “Eva”, do Rádio Taxi, Márcio diz que foi exclusividade desta edição do Chez Nigro’s. “Já recebi vários convites para apresentações, mas neguei todos. Foi exclusividade de quem apareceu… Quem sabe daqui alguns anos”, diz. Ele só lamenta ter esquecido de tirar o gelo seco do freezer (imperdoável) e de ter tomado aquele maldito “bombeirinho” que foi para em sua mão.
É isso aí: quem foi, foi. Quem não foi, vai ter que esperar um ano para a próxima edição e tentar se redimir. Eu fui.


XXX Chez Nigro: 30 anos enganando todo mundo

Não se animem meus caros leitores: não é um evento pornográfico ou festa do cabide, como XXX pode induzir a pensar. É a trigésima edição do Chez Nigro, evento anual que celebra a vinda ao mundo daquele que muitos batizaram de “El Nigro”, outros de “carinha”, alguns de “psiu”, e uns poucos, misteriosamente, de “O Camaleão de Anágua”.

É difícil acreditar mas Márcio Nigro completará 30 anos, contradizendo a previsão de uma vidente que prevê o futuro usando melões (prática conhecida como “melancia”), que garantiu que ele iria ficar com 29 para o resto da vida. Revendo sua vida, o ex-jovem se abre ao dizer que “A idéia de chegar aos 30 me fez pensar em tudo que passei: já tive um Kichute e uma BMX, bebi Undenberg, aprendi a fazer papel marché… Minha história é legal.”

E o que nos promete esse ano esse tal Nigro? “Basicamente a mesma coisa do ano passado, só que completamente diferente”, elucida o aniversariante. Ele não revela, mas a verdade é que Márcio ficou muito abalado quando soube que Paulo Coelho não tinha sido eleito como imortal da ABL e que, por isso o escritor (”excretor”, como Márcio chama o amigo) não iria comparecer ao evento. Além disso, a principal atração da festa, um anão boliviano que recita os Lusíadas na língua do “P”, foi assinado há poucos dias por um fã em frente ao edifício Copan. É claro que isso tudo abalou nosso anfitrião, que decidiu diminuir radicalmente a lista de 1.200 convidados, com a intenção de tornar o evento um pouco mais íntimo. Assim, não esperem encontrar a Carola Escarpa ou a Mariana Kupfer, que não escaparam da guilhotina. Em compensação, Cid Moreira, Henry Sobel e Dárcio Campos são presenças garantidas.

Beijos disseminados e vejo vocês lá, enfants.


“A Gente 86″ marca o final de uma era

O boato parecia inacreditável. Correu as ruas de São Paulo, pegou a Dutra e chegou aos ouvidos da Narcisa Tamborindeguy no Rio de Janeiro, e aí se espalhou pelo Brasil inteiro. Agora chega a confirmação: Depois de 25 anos, a Casa da Varginha (conhecida nos últimos tempos como Casa dos Autistas) será vendida, para desespero de toda uma geração. Tomabada pelo Unesco com o título de “o último lugar que não toca pagode”, a Casa da Varginha é um baluarte da resistência pós-pseudo-intelectualista-bairrista dos anos 80 e 90, abrigando um gueto de idéias e ações completamente inúteis, fundamentais para entender o Brasil de hoje ou, pelo menos, de anteontem.Protagonistas — ou pelo menos figurantes — de muitas histórias que ecoam nas paredes acarpetadas da Casa da Varginha, o operador de mouse Sérgio Prado (o Sé) e o vendedor de “catracas-ambulantes” Maurício Pinheiro (o Malé) decidiram comemorar seus cumple años junto com a festa de despedida da casa. Assim o evento foi inteligentemente batizado de A Gente 86. Para quem não conseguiu atravessar o ectoplasma semiótico que envolve o nome, explico eu: a casa faz 25 anos e Sé e Malé completam, respectivamente, 31 e 30 anos. Some os número e chegamos ao resultado cabalístico.

Presentes no eventos estarão muitas pessoas que vivenciaram os melhores momentos da Casa da Varginha nesses 25 anos de efervecência acultural. Vocês poderão por exemplo ouvir o testemunho de Cíntia Nigro de como deixou seu irmão Flávio prendê-la numa mala de viagem. A versão de Flávio, provavelmente mais curiosa, também poderá ser conferida. Já Márcio Nigro dirá como estilhaçou uma grande janela de vidro temperado, depois de ter a brilhante idéia de colocar um alvo de dardos logo abaixo da dita cuja. Fernando Nigro, o Fefa, por sua vez, deliciará os convidados com a história veridica da tartaruga (batizada de Burocracia) que apareceu num tanque de lavar roupa e do gato barítono que assustava a vizinhança. O ápice da festa será quando dublês profissionais farão a reconstituição do caso do fusquinha da polícia que capotou em frente a casa quando tentava perseguir um indefeso skatista.

Bem isso é tudo que posso revelar no momento, além do fato de que está confirmada a presença do tradicional do Anão Boliviano e Seu Espanador Maluco e da escola de samba Unidos da Discórdia.

É agora ou nunca mais.


Alguém anotou a placa daquela ergométrica?
Resenha crítica da festa “A Gente 86″

Confesso que ainda estou tentando acreditar no que vi. Na hora, todo mundo viu. Mas, no dia seguinte, a pergunta que rolava pelo circuito in era: “Mas o cara realmente conseguiu tombar junto com uma bicicleta ergométrica?” Já é meio difícil explicar como a inusitada biclicleta ergométrica foi parar no meio pista de dança do A Gente 86, com certeza um dos maiores eventos do século até o momento. Mas o fato é que um rapaz, que atende pela alcunha de “A Véia”, depois de rolar durante vários minutos pelo chão do salão, acabou sentado no banco da bicicleta, enquanto uma inevitável roda de convidados se abriu em volta do estranho ser. Para todos, a visão já tinha valido a noite, mas A Véia foi além e desabou no chão junto com a bicicleta. Um feito histórico que, certamente, será comentado pelas futuras gerações incrédulas.

Que mais posso dizer sobre a magnífica festa? Que a Ladeira da Morte, como é conhecida a Rua Varginha, nunca esteve tão viva e tomada por tantos carros, pelo menos desde de que o ET de Varginha foi avistado? Que às 5h da matina haviam sido consumidas trezentas latinhas de cerveja, além de garrafas de bebidas insólitas como o vinho Country Wine, Aguardente Supimpa e um estranho líquido rotulado Rosberg? Que os convidados fizeram um ótimas esculturas em papel marché no banheiro com os quatro rolos de papel higiênico disponíveis? Ou então que o auge da festa foi quando, às 4h, o famoso DJ Shuffle levou as pessoas ao orgasmo múltiplo com uma seleção de clássicos do cancioneiro popular que culminou em He Man, do Trem da Alegria? Nada pode descreve direito o que aconteceu.

Conversando com Márcio Nigro, no dia seguinte ao evento, soube que, depois de retiradas as várias camadas de terra, grama, chiclete e bitucas de cigarros que cobriam o chão da pista de dança, forma encontrados os seguintes objetos:
– Um celular que não pára de tocar um segundo e que, quando a gente atende, uma voz masculina pergunta do outro lado “Januário, é você meu bem? ”
– Uma anágua com adereços campestres
– Um vaso chinês da disnatia Ming
– Uma escova de dentes de cerdas cruzadas
– Um livro de nome Como Fazer Amigos em Festas Usando uma Bicicleta Ergométrica
– Um CD do Wando, autografado, junto com uma calcinha lilás
Quem perdeu um dos referidos item pode entrar em contato com a nossa redação para participar do caderno especial sobre a festa.

Por fim, Márcio me pediu para agradecer em seu nome à Adri, que ele não conhece, mas que deixou uma simpática mensagem escrita a lápis no livro do Millôr que estava num dos banheiros VIPs da casa. A rapariga fez questão de deixar registrado o estado de êxtase que estava naquele momento tão, digamos, filosófico.

É isso aí, crianças, quem foi, foi. Que não foi, é evidente que não foi. E, pelo jeito, não vai mais.

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James Joyce Pascowitch é colunista social, lateral esquerdo, cirurgião de almas e paquibaquígrafo. Atualmente está se dedicando a construir uma estação de ski em Belford Roxo. 


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